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A Prefeitura de Porto Alegre anunciou nesta sexta-feira que custeará 50% das despesas necessárias à desapropriação do prédio conhecido como “Dopinho”, para sediar o Centro de Memória Ico Lisboa. O imóvel está localizado na rua Santo Antônio, 600, e foi a primeira sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), durante a ditadura militar.
O acerto foi feito pelo prefeito José Fortunati em reunião com integrantes do Comitê Carlos de Ré - da Verdade e da Justiça, e familiares de Ico Lisboa, na manhã de ontem no Paço Municipal. “Esse é um marco de recuperação da memória e a prefeitura é parceria na concretização deste Centro”, afirmou Fortunati. Ele adiantou que será criado um Grupo de Trabalho para encaminhar a iniciativa e a participação da prefeitura.
Com esta manifestação, agora será necessário aguardar a posição do governo do Estado, para que se comprometa com os outros 50% do valor da desapropriação do imóvel, que atualmente está à venda. Antes de assumir o prédio, será preciso ainda encaminhar projeto de lei à Câmara Municipal. O Comitê já recebeu a sinalização do governo federal, por meio da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, do interesse em auxiliar na manutenção do espaço, junto com a sociedade civil organizada.
No museu serão reunidos documentos e objetos de identificação da ditadura militar, além de equipamentos de tecnologia que auxiliem na compreensão do que foi o período no Brasil. Segundo a coordenadora do Comitê, Christine Rondon, a recuperação da história brasileira é importante para auxiliar na construção de um novo país. Ico Lisboa é considerado o primeiro desaparecido do regime militar a ter o corpo encontrado. A reunião foi acompanhada ainda pela viúva de Ico, Suzana Lisboa, e o irmão, Nei Lisboa.
Fonte: Mauren Xavier / Correio do Povo
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