 Líderes sul-americanos acompanham velório de Chávez Crédito: Marcelo Garcia / Presidência / AFP / CP
|
Líderes sul-americanos acompanham velório de Chávez
Crédito: Marcelo Garcia / Presidência / AFP / CP
|
O corpo do presidente Hugo Chávez, morto na terça-feira após quase dois anos de luta contra o câncer, é velado desde a noite dessa quarta-feira na câmara-ardente do Salão de Honra da Academia Militar de Caracas. Milhares de venezuelanos passam pelo local para prestar as últimas homenagens.
O velório teve a presença de autoriddaes políticas sul-americanas, entre elas o presidente interino, Nicolás Maduro, e os líderes de Argentina, Cristina Kirchner, Uruguai, José Mujica, e Bolívia, Evo Morales.
Ao final de uma cerimônia religiosa restrita a parentes e personalidades, a câmara-ardente foi aberta ao público, que formou um longo cortejo em torno da Academia Militar para dar o último adeus a Hugo Chávez. O público poderá visitar o corpo do presidente até a manhã de sexta-feira.
O féretro com os restos mortais de Chávez chegou no final da tarde à Academia Militar de Caracas, considerada seu segundo lar e berço da vocação política do 'comandante'. Acompanhado por familiares, funcionários, líderes políticos e milhares de seguidores mergulhados na tristeza, o corpo de Chávez cruzou os portões após sete horas de cortejo pelas ruas de Caracas.
Os militares retiraram o caixão do carro fúnebre entre aplausos e gritos de "Viva Chávez" da multidão. Segundos depois, o féretro foi carregado nos ombros de vários colaboradores, entre eles o ministro dos Esportes, Héctor Rodriguez. Chávez será enterrado na sexta-feira, diante de vários dirigentes estrangeiros, às 10h local (11h30min de Brasília).
Multidão acompanha cortejo
Uma imensa maré humana acompanhou o cortejo fúnebre entre o hospital militar e a Academia, seguindo o féretro coberto com a bandeira venezuelana e transportado em um carro ornamentado com flores brancas e amarelas. "Até a vitória sempre, comandante, te amamos!" - gritavam entre lágrimas centenas de milhares de pessoas, pedindo que Chávez seja sepultado no Panteão Nacional, ao lado do Libertador Simón Bolívar.
"Isto é a história. Passarão 100 anos até surgir outro líder assim", disse entre soluços Luz Mayel, 38 anos, de origem colombiana. Na saída do hospital militar, onde Chávez morreu aos 58 anos após quase dois anos de luta contra o câncer, Elena Frías, mãe do 'comandante', chorava desconsolada, enquanto um capelão militar dirigia uma breve oração.
Vestido com um agasalho esportivo com as cores da Venezuela, o vice-presidente Nicolás Maduro, designado herdeiro político de Chávez e presidente interino do país, caminhou diante do carro fúnebre ao lado do presidente boliviano, Evo Morales. "Maduro já é o nosso presidente. Chávez queria isto e votaremos nele quando as eleições chegarem", disse Margarita Martínez, 37 anos. "Nicolás não é nenhum improvisado. Chávez era um homem de visão (...) e preparou Nicolás para assumir o poder. O povo vai apoiá-lo", destacou Virginia Calderóan, 45 anos, na porta da Academia Militar.
Durante o cortejo, uma gravação do hino da Venezuela com a voz de Chávez foi acompanhado com emoção por todos os presentes. Centenares de pessoas, muitas vestidas com camisetas vermelhas, a cor do 'chavismo', tentaram se aproximar do carro fúnebre.
A Academia Militar foi escolhida para receber o corpo de Chávez porque o presidente considerava seu segundo lar e berço de sua vocação política, que em 1992 o levou a uma fracassada tentativa de golpe e sete anos depois à presidência da Venezuela. O chanceler Elías Jaua informou que uma capela fúnebre foi projetada para permitir que o maior número possível de pessoas possam ver seu "pai, seu libertador, seu protetor".
Sete países latino-americanos decretaram luto nacional, entre eles o Brasil, Argentina, Chile e Cuba. Jaua revelou que o país amanheceu calmo e disse que 10 chefes de Estado confirmaram presença no funeral. Vários devem chegar ao país na quinta-feira. Jaua informou na terça-feira que Maduro assumiu a presidência temporária até a convocação das eleições, cuja data será anunciada em breve pelo governo.
Fonte:
|