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08/03/2013 08:16 - Atualizado em 08/03/2013 08:23

Mulheres ainda travam árdua luta

Dupla jornada, melhores condições no mercado e na vida privada e discriminação são desafios dos tempos atuais

Quelen, com a filha Tassiele e a neta, começou a trabalhar aos 16 anos<br /><b>Crédito: </b> Arquivo pessoal / CP
Quelen, com a filha Tassiele e a neta, começou a trabalhar aos 16 anos
Crédito: Arquivo pessoal / CP
Quelen, com a filha Tassiele e a neta, começou a trabalhar aos 16 anos
Crédito: Arquivo pessoal / CP

No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, em Nova Iorque, fizeram greve. Ocuparam a fábrica reivindicando melhores condições de trabalho, incluindo redução da jornada diária de 16 para 10 horas e equiparação salarial com os colegas. Na época, chegavam a receber até 1/3 do salário de homens para a mesma função. As grevistas ficaram trancadas na fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas. Decorridos 156 anos da tragédia que deu origem ao Dia Internacional da Mulher, elas ainda lutam por melhores condições no mercado e na vida privada.

Na atualidade, participando de todas as atividades produtivas, a mulher ainda enfrenta a dupla jornada, sendo acusada, não raro, de abandonar o lar. Quelen Cristina da Silva Rodrigues, aos 37 anos, tem três filhos e é avó. Sua vida profissional começou ainda na adolescência, aos 16, quando começou a trabalhar como babá. Não se queixa de discriminação, pois lembra que muitas vezes teve mais facilidades para conseguir um emprego do que alguns homens. Quelen observa que o fato de o Brasil ter uma mulher na Presidência da República é grande exemplo e estímulo. "É a prova que a mulher, quando quer, chega lá." Passista da escola de samba União da Vila do IAPI, divide sua vida em quatro períodos: trabalho, academia, casa e agremiação. O ano, ela separa em dois: "De fevereiro a setembro minha vida é normal, mas no restante vira de ponta-cabeça, pois a prioridade é o Carnaval".

A filha de Quelen, Tassiele, 19 anos, tem uma menina de 6 meses e não vê a vida como a mãe. Apaixonada pelo samba, queixa-se de não ter emprego "por culpa da maternidade". "É muito difícil conseguir um emprego quando se tem uma filha que ainda mama."

A recepcionista Luciana Gomes, 35 anos, já tem uma neta com 1 mês. "A disputa no mercado, fácil não é, mas também não lembro de ter sido discriminada." Diz que a beleza feminina ora ajuda, ora atrapalha. "O fundamental é ser inteligente", afirma, embora reconheça que muitas empresas valorizam a beleza. "Conheço mulheres que, por terem alguns quilos a mais, têm dificuldade em encontrar emprego."

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Fonte: Roberto Tavares / Correio do Povo





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