|
Durou mais de quatro horas o depoimento do prefeito de Santa Maria, Cezar Augusto Schirmer, à Polícia Civil nesta sexta-feira. Segundo o delegado Marcelo Arigony, o chefe do Executivo foi ouvido porque havia fatos sobre a fiscalização da boate Kiss que precisavam ser esclarecidos. "Optamos por chamar o prefeito por último – já ouvimos secretários, fiscais – porque ele tem uma visão macro da estrutura da prefeitura. Ele pode explicar os critérios que ele utilizou para escolher seus secretários, etc", explicou o delegado.
Arigony disse que ficou satisfeito com os esclarecimentos prestados pelo prefeito e afirmou que a imprensa terá acesso ao depoimento ainda hoje. O prefeito, por sua vez, se colocou à disposição da polícia para fornecer informações que possam ajudar no esclarecimento do incêndio que matou 241 pessoas.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
Ouça o áudio: Delegado explicou por que a polícia ouviu chefe do Executivo por último
Fonte: Renato Oliveira / Correio do Povo
|