 Kim define ilha fronteiriça como primeiro alvo da Coreia do Norte Crédito: AFP
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Kim define ilha fronteiriça como primeiro alvo da Coreia do Norte
Crédito: AFP
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O dirigente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, designou uma pequena ilha sul-coreana perto da fronteira marítima entre os dois países como primeiro alvo em caso de conflito, informou a imprensa estatal. Chamada de Baengnyeong, a localidade-alvo foi definida por Kim durante uma visita aos quartéis militares próximos da fronteira, na segunda-feira, o primeiro dia das manobras militares conjuntas entre Coreia do Sul e Estados Unidos, muito criticadas por Pyongyang.
A ilha tem cerca de 5 mil habitantes e é a base de várias unidades militares. Nos últimos dias, a Coreia do Norte ameaçou com uma "guerra termonuclear", advertindo o governo americano de que estava exposto a um "ataque nuclear preventivo", além de criticar o armistício que acabou com a Guerra da Coreia em 1953. A Coreia do Sul se negou nesta terça-feira a reconhecer a decisão da Coreia do Norte de denunciar unilateralmente o pacto de não-agressão alcançado há 60 anos pelos dois países e exigiu que Pyongyang encerre a nova retórica belicista.
Um funcionário do governo da ilha ameaçada, Kim Young-Gu, disse que os abrigos para civis estavam preparados para receber a população e que todos estavam em alerta. "Não há uma fuga em massa para o continente, mas, para ser sincero, existe um pouco de medo", declarou. Pyongyang questiona a linha de delimitação marítima entre o Norte e o Sul, traçada pela ONU depois da Guerra da Coreia (1950-1953). Vários confrontos letais entre os dois países aconteceram na região nos últimos anos.
"A denúncia unilateral ou o cancelamento do acordo de armistício não estão previstos em seus próprios dispositivos nem no direito internacional", afirmou o porta-voz do ministério sul-coreano das Relações Exteriores, Cho Tai-young. Na origem do clima explosivo está o lançamento em dezembro pela Coreia do Norte de um foguete, considerado pela comunidade internacional como um míssil balístico. "Uma vez dada a ordem, deverão romper a coluna dos inimigos dementes, deverão cortar o pescoço e assim mostrar claramente o que é uma verdadeira guerra", disse Kim Jung-un, de acordo com declarações divulgadas pela agência oficial norte-coreana KCNA.
Em fevereiro, o país executou o terceiro teste nuclear, ao qual o Conselho de Segurança da ONU respondeu com sanções mais fortes contra Pyongyang na sexta-feira passada. Em novembro de 2010, o governo norte-coreano ordenou o bombardeamento da ilha de Yeonpyeong, também próxima da fronteira marítima, um ataque que matou quatro sul-coreanos.
Para o ministério sul-coreano da Defesa, o Norte tenta exercer "uma pressão psicológica" sobre a Coreia do Sul e deve iniciar em breve manobras militares. "Se o Norte provocar, responderemos de maneira a causar mais danos", declarou o porta-voz do ministério, Kim Min-seok.
Na segunda-feira, o Departamento do Tesouro americano decidiu aplicar sanções contra o Banco Norte-Coreano de Comércio Exterior (FTB), para conter a entrada de divisas que Pyongyang utiliza para financiar seus programas nuclear e balístico. A Casa Branca admitiu preocupação com a "retórica belicosa da Coreia do Norte", mas destacou que o país não conseguirá nada com ameaças e provocação.
O chefe nacional da inteligência americana, James Clapper, alertou nesta terça-feira no Congresso para os riscos à segurança que o país enfrenta, referindo-se a eventuais ataques cibernéticos, ao Irã, à Coreia do Norte, à Al-Qaeda e à Síria. "Apesar de avaliarmos com um grau relativamente baixo a probabilidade de a Coreia do Norte tentar utilizar armas nucleares contra as forças dos Estados Unidos ou seus aliados para preservar o regime de Kim, não sabemos que representaria, da perspectiva da Coreia do Norte, cruzar esse limiar", afirmou Clapper.
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