 Papa Francisco era travesso, conforme irmã da instituição onde ele estudou Crédito: Sergio Rubin / AFP / CP
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Papa Francisco era travesso, conforme irmã da instituição onde ele estudou
Crédito: Sergio Rubin / AFP / CP
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Jorge Bergoglio, o Papa Francisco, é lembrado como um menino travesso que corria incansável pelas escadas do centenário colégio da Misericórdia no bairro de Flores de Buenos Aires, onde começou a frequentar a escola e fez sua primeira comunhão, relatou a irmã Martha Rabino, a cargo da instituição. "Era um diabo, um diabinho, muito travesso, como toda criança. Sabíamos que ia ser o Papa!" Ela chorou emocionada ao saber que o novo padre da Igreja Católica era ele, "que compartilha com frequência o chá com leite com as irmãs do colégio". "Os santos são assim", afirmou.
A religiosa surpreendeu na entrevista ao apontar que "foi catequista da presidente Cristina Kirchner como freira no Colégio da Misericórdia da cidade de La Plata, onde a presidente cursou sua escola primária e secundária". "Os dois têm uma personalidade muito forte e muito firme em suas convicções, mas fiquei muito contente quando li a carta enviada por Cristina. Ela anunciou que vai viajar para a coroação do Papa e certamente beijará seu anel, então terá que reconsiderar", disse, sobre a fria relação entre Bergoglio e a presidente argentina.
Nesta paróquia do colégio da Misericórdia, a apenas duas quadras da casa natal do Papa, toda a família Bergoglio assistia à missa todos os domingos, e foi ali, aos 9 anos, onde Jorge fez sua primeira comunhão e onde muitos anos depois, já como sacerdote, celebrava uma missa em cada acontecimento importante da congregação, com a qual mantém um contato permanente. "Era uma família que vinha todos os domingos à missa. A mãe era muito cristã e piedosa, ele herdou muito dela", opinou Martha.
Nessa casa religiosa viveram outras mulheres que marcaram a infância e a espiritualidade do Papa Francisco, como a irmã Rosa, sua primeira professora, com quem teve contato até a morte dela, em 2012, aos 101 aos, e a irmã Dolores, que o ensinava o catecismo e por quem ele chorou numa noite de oração contínua quando ela faleceu, há dois anos. "Ele gostava de perguntar à irmã Rosa como era quando criança e a irmã, que era velhinha, mas muito lúcida, respondia 'você era um diabo, melhorou um pouco?', e ele caía na gargalhada", relata Martha.
Segundo a religiosa, a irmã Dolores Tortolo "foi outra das freiras que ele amou profundamente". "Foi sua catequista quando ele tinha oito anos, e ele nunca a esqueceu, a visitou até sua morte e, quando faleceu, passou a noite inteira em oração, negou-se a comer. Ele agradecia continuamente por esta catequese ensinada por Dolores", afirmou.
Bergoglio também é lembrado dando saltos nas escadas enquanto memorizava em voz alta a tabuada, histórias de sua infância que ele gostava de ouvir. "A irmã Rosa contava a ele que se lembrava de quando ele aprendeu a tabuada na escada e então ia pulando os degraus de dois em dois e repetindo: dois, quatro seis, você era incansável'", afirmou Martha.
Bergoglio mantém laços afetivos inquebráveis com Flores, seu bairro natal, onde viveu por toda a sua infância e onde teve a revelação de sua vocação religiosa na Basílica de São José de Flores, na qual celebrava uma missa a cada início de Semana Santa. "Quando apresentou sua renúncia como cardeal, ao completar 75 anos, Bento XVI não a aceitou, foi um visionário ao não aceitá-la. Bergoglio pensava em vir a Flores, me disse 'passarei meus últimos dias aqui'; mas Bento não deixou, possivelmente foi uma inspiração do Espírito Santo."
Na hora de definí-lo, Martha descreve Bergoglio como "um homem discreto, sereno, de grande espiritualidade, muito firme, mas acessível e simples, que sempre chegava no ônibus 132 e se negava a pegar um táxi", mesmo que estivesse doente.
Irmã do Papa chorou ao saber da notícia
"É um golpe muito forte, que emoção! Escutar essa multidão gritando: Viva o Papa!...Pobre homem!", disse nesta quinta-feira María Elena Bergoglio, imaginando seu irmão mais velho, o novo pontífice, saudar na quarta-feira a multidão reunida na Praça São Pedro após sua eleição. Vestida de maneira sóbria, com um suéter verde escuro e seu cabelo grisalho preso, a mulher aceitou falar a dezenas de jornalistas que esperavam em frente a sua casa em Ituzaingó, um bairro de classe média da periferia oeste de Buenos Aires. "Quando ouvi a notícia, chorei. Não consegui dizer nenhuma só palavra. Só tenho vontade de abraçá-lo", contou a senhora, "uma menina de 65 anos", 11 a menos do que o seu irmão.
Esta diferença de idade faz com que "não possa falar de um irmão com quem brincava, mas sempre foi um parceiro muito presente além das distâncias", ressaltou. "Meus sentimentos não estão em ordem em minha mente, porque foi um baque muito forte, um fato histórico", repetiu.
María Elena afirmou que seu irmão "é muito hermético", mas que em sua primeira aparição pública, "a expressão de seu rosto mostrava plenitude". "Eu nunca pensei que seria Papa. Meu irmão cumpria as suas funções, com responsabilidades crescentes, mas eu nunca acreditei", confessou.
Questionada sobre o tipo de papado que imagina, ela não soube responder, mas observou que "sabe qual é a sua inclinação: Trabalhar para os pobres, os mais marginalizados"."Eu espero que tenha forças. Vamos orar para que o Espírito Santo o fortaleça", disse Maria Elena, que agradeceu "profundamente esse orgulho, mas esta é uma palavra muito vaidosa, que temos não só como uma família, mas como o povo argentino". O novo Papa é o mais velho de cinco filhos, três homens e duas mulheres, fora Maria Elena, os outros três, Alberto, Oscar e Regina Marta, já morreram.
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