 Regime e rebeldes se acusam de uso de armas químicas na Síria Crédito: Ozan Kose / AFP / CP
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Regime e rebeldes se acusam de uso de armas químicas na Síria
Crédito: Ozan Kose / AFP / CP
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O regime e os rebeldes sírios se acusaram mutuamente nesta terça-feira de terem utilizado armas químicas, pela primeira vez em dois anos de conflito, embora os Estados Unidos tenham afirmado que não há provas disso.
A Rússia deu crédito às acusações do governo de Bashar al-Assad, seu aliado, indicando ter “recebido informações” de que os rebeldes utilizaram armas químicas durante um ataque na província de Aleppo, no Norte, que deixou oficialmente 31 mortos. “Os terroristas lançaram um míssil que continha produtos químicos a partir de Kfar Dael, na região de Nairab, contra a região de Khan al-Assal”, a Oeste de Aleppo, declarou o ministro sírio da Informação, Omran al-Zohbi.
Os rebeldes do Exército Sírio Livre desmentiram o ministro, e acusaram o regime de empregar armas químicas. “Sabemos que o Exército atacou Khan al-Assal utilizando um míssil, e nossas primeiras informações indicam que este poderia conter armas químicas em seu interior. Há muitas vítimas, e vários feridos têm problemas respiratórios”, declarou Louai Moqdad, porta-voz do ESL. “Não temos nem míssil de longo alcance nem armas químicas”, acrescentou.
Um médico de um hospital de Aleppo, por sua vez, declarou à televisão oficial que estes “produtos tóxicos estão provocando vômitos e uma perda de consciência”. Espera-se que a ONU e a Cruz Vermelha cheguem à zona para verificar os fatos. Nos últimos meses, os rebeldes tomaram importantes depósitos de armas do Exército. A comunidade internacional multiplicou as advertências contra o governo, para que não utilizasse armas químicas.
Os Estados Unidos indicaram que não têm “prova alguma para sustentar as acusações de que a oposição utilizou armas químicas”, e lançaram uma nova advertência ao governo de Damasco. Já Moscou deu crédito à tese do regime sírio, acusando os rebeldes de ter utilizado armas químicas, e sem indicar se suas informações vêm de fontes russas ou sírias.
A informação não pôde ser confirmada por fontes independentes. O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), uma ONG síria com sede no Reino Unido, confirmou um disparo de míssil terra-terra contra o Exército na cidade de Khan al-Assal, mas não acredita que estivesse carregado de material não convencional.
Enquanto isso, em Istambul, o “primeiro-ministro” interino da oposição, Ghasan Hitto, disse que não dialogará com o governo, e colocou entre as suas prioridades a queda do regime e o envio de ajuda às populações das regiões do Norte e do Leste sob controle rebelde. Hitto formará um governo em um mês, que terá como missão proteger a infraestrutura e os recursos públicos e privados, cuidar dos postos fronteiriços em poder dos insurgentes e coordenar a ajuda humanitária internacional.
França e Estados Unidos, que apoiam os rebeldes, saudaram a eleição do primeiro-ministro interino da oposição.
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