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19/03/2013 20:25 - Atualizado em 19/03/2013 20:50

Números da tragédia com a enxurrada sobem para 27 mortos em Petrópolis

Famíliares buscam parentes de forma incansável no meio da lama arrastada pela chuva no RJ

Por dois dias, Davi e José Ventura Fernandes foram incansáveis. Ignoraram os alertas de perigo dos bombeiros e procuraram a família do irmão deles, Pedro, de 45 anos. Ele desapareceu na noite de domingo, com a mulher Cristina, de 42 anos, e os filhos, Nicolas, de 9, e Letícia, de 6, quando a casa em que viviam, na Vila São Joaquim, em Petrópolis (RJ), veio abaixo. No início da tarde desta terça-feira, José encontrou os sobrinhos. As crianças estavam presas a galhos num rio que fica a um quilômetro da residência da família. Ao longo do dia, outros nove corpos foram localizados. Já são 27 mortos confirmados desde domingo.

Davi, de 48 anos, e José, de 42, usaram enxadas para revirar a lama que recobria as casas, numa área pobre do bairro Quitandinha. No fim da manhã, José e outros moradores decidiram procurar na parte baixa, do outro lado da rodovia. Ele entrou no córrego e avistou o corpo de três crianças - um menino de cerca de 13 anos, Nicolas e Letícia. Usou a enxada para liberá-los dos galhos de árvore. Emocionado, pediu para que não fizessem fotos dos sobrinhos.

"Meu irmão sofreu muito para construir a casinha dele. Carregou na mão as pedras e os tijolos, morro acima. Ele se preocupou em fazer a contenção de uma encosta próxima e fez os pilares da casa direitinho, mas não adiantou. Somos nascidos em Santa Maria Madalena (no interior do Estado) e viemos para Petrópolis há mais de 20 anos para conseguir uma vida melhor", lembrou Davi.

Durante todo o dia, 250 bombeiros, além de moradores e voluntários procuraram vítimas dos deslizamentos. O terreno enlamaçado dificultava o trabalho. "Até cães farejadores afundam na lama", contou o secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões. A estimativa era de que entre 10 e 15 pessoas estivessem soterradas pela avalanche que destruiu pelo menos três casas na Vila São Joaquim. Dessas, sete eram crianças da mesma família, com idades entre 2 e 8 anos.

O secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, que acompanhou o trabalho de resgate, disse que as prefeituras precisam impedir que áreas de risco sejam ocupadas. "Temos de conviver com tragédias climáticas e desastres naturais. Mas precisamos estar mais preparados para enfrentá-los. A ação 'na ponta', isto é, nas prefeituras, precisa melhorar no sentido de evitar novas ocupações irregulares", salientou.


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Fonte: AE






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