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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as causas da tragédia de Santa Maria na boate Kiss realizou a primeira sessão na manhã desta quarta-feira. Após o depoimento de três secretários da prefeitura, a presidente da CPI, Maria de Lourdes de Castro, afirmou que a próxima etapa será ouvir os fiscais da administração municipal. Segundo ela, a nova fase de questionamentos dependerá do acesso ao inquérito policial.
Hoje, os secretários de Gestão e Modernização, Antônio Carlos Lemos, de Finanças, Ana Beatriz Barros, e de Saúde, Anny Desconzi, foram questionados na Câmara de Vereadores de Santa Maria. Todos afirmaram que trabalharam de acordo com a legislação do município.
Ontem, a esposa de Elissandro Spohr, o Kiko, um dos sócios da Boate Kiss, prestou depoimento por duas horas e 15 minutos. Nathália Daronch, de 22 anos, falou acompanhada do advogado Jader Marques. Tanto na chegada como na saída da 1ª delegacia de policia, ela afirmou que o marido não é um assassino. "Ele (Kiko) tentou ajudar pessoas que estavam no interior da boate", salientou.
Combustão de espuma liberou cianeto
Chegou nessa terça-feira, através de email, o laudo da perícia sobre a espuma do revestimento acústico da casa noturna. O documento confirmou que a combustão do material liberou gás cianeto, o que matou as vítimas por asfixia.
O documento era aguardado com expectativa pelos delegados, principalmente depois que os laudos do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontaram que a causa das mortes, na semana passada, foi asfixia por conta do composto químico venenoso.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro, durante uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 241 mortos.
Segundo testemunhas, o fogo começou quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que recém havia subido ao palco, lançou um sinalizador. O objeto supostamente encostou na forração da casa noturna. As pessoas não perceberam o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
Fonte: Renato Oliveira / Correio do Povo
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