Porto Alegre, sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

  • 30/04/2013
  • 11:18
  • Atualização: 12:35

Sem privilégios, presos pela PF estão no Presídio Central

Dezessete suspeitos do esquema de corrupção na área ambiental estão divididos em duas celas

PF prendeu 18 pessoas investigadas no esquema de concessão ilegal de licenças ambientais | Foto: André Ávila

PF prendeu 18 pessoas investigadas no esquema de concessão ilegal de licenças ambientais | Foto: André Ávila

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  • Karina Reif / Correio do Povo

Dezessete presos na Operação Concutare da Polícia Federal, que foram levados ao Presídio Central, em Porto Alegre, na segunda-feira, tiveram o mesmo tratamento dos demais detentos. A diferença é que não enfrentaram a superlotação da penitenciária que é considerada a pior do Brasil. No total, 18 pessoas foram detidas na ofensiva, suspeitas de integrar um esquema de corrupção que envolvia empresários, consultores ambientais e servidores públicos e acelerava a obtenção de licenças no Rio Grande do Sul.

Os detidos foram divididos em duas celas da galeria destinada a pessoas com curso superior, a qual conta com 65 vagas. Antes de chegarem, havia 25 pessoas na ala, entre elas o bioquímico acusado de matar a mulher e o filho no ano passado na Capital. No local, também estão ex-policias e ex-servidores públicos. O encarregado pelo setor é um homicida, segundo o diretor da penitenciária, o tenente coronel Rogério Maciel.

Os secretários de Meio Ambiente do Estado e de Porto Alegre, Carlos Fernando Niedersberg (PC do B) e Luiz Fernando Záchia (PMDB), e o ex-deputado estadual e secretário do Meio Ambiente, no governo Yeda Crusius, Berfran Rosado, chegaram depois do horário da janta, que vai das 17h às 19h. “Demos um lanche para eles, com café e frutas, para não ficarem sem comer. Não é privilégio. Todos recebem isso, até porque muitos chegam de  madrugada”, explicou Maciel.

Maciel diz que conversou com os presos e notou que ainda estavam muito impactados. “Antes de irem para o presídio, foi oferecido um almoço na Superintendência da Polícia Federal, mas percebi que nenhum comeu”, disse. Como são presos provisórios, eles não tiveram contato com pessoas da família, apenas com seus advogados, que tinham o direito de levar roupas e objetos pessoais. “São dez itens, mas existe restrições de cores de roupas. Eles não podem vestir laranja, por exemplo, para não serem confundidos com os presos que trabalham”, esclareceu.

Além do café da manhã, almoço e janta, os suspeitos receberam roupa de cama e uma manta para se cobrirem à noite. “Estava friozinho no dia que chegaram”, explicou Maciel. Um kit com sabão, escova e pasta de dentes, caneca e pratos plásticos também foi oferecido ao trio e aos demais presos da Concutare. Todos os que chegam à galeria ganham um colchão novo para colocar nas camas beliches das celas. Cada unidade tem oito vagas.

O 18º preso na operação, dormiu na carceragem da Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) no Rio Grande do Sul. Em razão de o depoimento dele ser muito importante, foi ouvido até tarde da noite de segunda-feira e por isso permaneceu na sede da PF. A expectativa é de que outras cinco pessoas sejam ouvidas nesta terça-feira.

Exoneração publicada

Já foi publicada no Diário Oficial do Estado a exoneração de Carlos Fernando Niedersberg. Com isso, ele perde o foro privilegiado que tinha como secretário de Estado.

Na mesma publicação, na seção Atos do Governador, aparece a dispensa de Mari Perusso do cargo de adjunta da Casa Civil e sua nomeação na Pasta de Meio Ambiente. Além de Niedersberg, ninguém mais perdeu o cargo.

O mesmo ocorreu com Luiz Fernando Záchia, cuja exoneração já apareceu em uma edição extra do Diário Oficial de Porto Alegre, publicado ainda na segunda-feira, de acordo com a Secretaria da Administração. No cargo deixado por
ele, assumiu interinamente o atual procurador-geral-adjunto de Licitações, Contratos, Pessoal e Serviços Públicos, Marcelo Kruel Milano do Canto.

A prefeitura de Porto Alegre informou que a determinação é de que ele garanta o andamento técnico da pasta, com transparência, para garantir a colaboração com a investigação da Polícia Federal.




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