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03/12/2013 17:01 - Atualizado em 03/12/2013 17:02

Especialistas franceses descartam envenenamento de Arafat

Profissionais concluíram que ex-líder palestino morreu de velhice

Os especialistas autorizados pela justiça francesa para investigar a morte de Yasser Arafat, morto em 2004, descartaram a tese de envenenamento do líder palestino. A indicação foi dada nesta terça por uma fonte próxima ao caso.

"O relatório do grupo rejeita a teoria de envenenamento e vai na direção de uma morte natural", explicou a fonte. Segundo a Radio France Inter, os especialistas concluíram que Arafat morreu "de velhice após uma infecção generalizada".

O sobrinho de Arafat e um líder palestino ligado ao caso expressaram nesta terça-feira ceticismo em relação ao relatório francês que descarta a teoria de envenenamento. "Até o momento, não vi esse relatório. Mas qualquer nova informação sobre a morte de Arafat, especialmente da França, deve ter relação com o relatório do hospital, em 2004", declarou o sobrinho Nasser al-Qidwa, presidente da Fundação Yasser Arafat.

A promotoria de Nanterre, perto de Paris, e Pierre-Olivier Sur, conselheiro de Suha Arafat, viúva do líder palestino, não quiseram comentar a notícia. Em julho de 2012, Suha Arafat entrou com um pedido de investigação de assassinato junto ao tribunal de Nanterre após a descoberta de polônio, uma substância radioativa altamente tóxica, em objetos pessoais de seu marido. Segundo ela, a medicação teria sido administrada na vítima por um membro de sua comitiva. Os juízes de instrução ordenaram então a exumação do cadáver. As amostras biológicas foram recolhidas no dia 27 de novembro de 2012.

Divergências

Yasser Arafat morreu em 11 de novembro de 2004 em um hospital militar francês. As causas nunca foram elucidadas e muitos palestinos suspeitam de Israel, que sempre negou o envenenamento. Mais de 60 amostras foram enviadas para três equipes: uma suíça, uma russa e uma francesa. Cada uma realizou o trabalho de análise de forma independente, sem contato. Os especialistas dos três países parecem divergir sobre a questão.

Os relatórios recentes de exames médicos suíços e russos das amostras dos restos mortais do líder histórico palestino revelaram a presença de quantidades anormais de polônio-210 no corpo, apoiando a teoria de envenenamento. Para a equipe suíça, "os resultados das análises sustentam moderadamente a hipótese de que a morte foi causada por um envenenamento", indicando em seu relatório que "nós medimos atividades de polônio-210 nos ossos e tecidos até 20 vezes superiores às referências da literatura" médica.

Os especialistas russos foram mais prudentes, concluindo a impossibilidade de determinar se o polônio foi a causa da morte do líder histórico. Após a divulgação do relatório suíço, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, pediu a formação de uma comissão internacional para investigar o caso. "Israel é o primeiro, o principal e único suspeito no caso do assassinato de Yasser Arafat", afirmou o presidente da comissão de inquérito palestina sobre a morte de Arafat, Tawfiq Tirawi.

O porta-voz do Ministério israelense das Relações Exteriores, Yigal Palmor, considerou nesta terça-feira que o anúncio dos especialistas franceses era previsível. "Isto não é uma surpresa", disse . Palmor já havia negado, em novembro, as "acusações infundadas, sem qualquer prova". "Israel não matou Arafat, e ponto final", ressaltou.

Yasser Arafat morreu aos 75 anos em 11 de novembro de 2004. Ele foi transferido no final de outubro de 2004 para o hospital militar de Percy, perto de Paris, depois de sofrer de dores abdominais em seu quartel-general em Ramallah, onde vivia confinado desde dezembro de 2001, cercado pelo Exército israelense. Sua viúva Suha não pediu uma necropsia. Um relatório do hospital francês, de 14 de novembro de 2004, indicou uma inflamação intestinal "de origem infecciosa" e distúrbios de coagulação "severos", mas não revelou as causas da morte.

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Fonte: AFP







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