Correio do Povo

Porto Alegre, 21 de Abril de 2014


Porto Alegre
Agora
16ºC
Amanhã
16º 24º


Faça sua Busca


Notícias > Rural

ImprimirImprimir EnviarEnviar por e-mail Fale com a redaçãoFale com a redação Letra Diminuir letra Aumentar Letra

21/12/2013 10:01 - Atualizado em 21/12/2013 10:16

Fetag faz denúncia do SUS sobre cobranças indevidas

Pesquisa mostrou que produtores rurais estão insatisfeitos com saúde pública

O resultado de uma pesquisa concluída neste mês pela Fetag/RS, sobre acesso e satisfação dos agricultores familiares gaúchos com o Sistema Único de Saúde (SUS), pode determinar pedido de apuração por parte do Ministério Público Federal (MPF). No levantamento por amostragem feito junto a 907 agricultores em 91 municípios entre abril e setembro, 16% afirmaram ter sido cobrados por procedimentos e atendimentos pelo SUS, o que é ilegal.

As tentativas envolveriam consultas (5%), internações (3%), medicamentos (3%) e exames (10%). Alguns pagaram e outros se negaram. 'Isso é inadmissível. Em fevereiro, faremos uma análise mais apurada e decidiremos o andamento das coisas. No geral, a gente percebe deficiência no atendimento, cobranças indevidas e falta de serviços de média e alta complexidade", aponta a coordenadora da Comissão de Saúde da Fetag, Inque Schneider.

A situação é considerada preocupante pela entidade já que 68% responderam não ter plano de saúde, o que demonstra a dependência do sistema público. "Em muitas cidades, é a única opção do agricultor. Ele não tem condições de pagar um médico ou serviço privado", relata a coordenadora. A amostragem indica ainda que, em caso de urgência, 65% optam por se deslocar por conta própria em vez de esperar transporte do posto de saúde e que 24% dos entrevistados saíram insatisfeitos quando precisaram de atendimento.

Segundo o Ministério da Saúde, todo cidadão pode denunciar os casos à Ouvidoria do SUS pelo telefone 136. As denúncias então são encaminhadas às secretarias estadual ou municipal, dependendo do órgão gestor do posto ou hospital de origem da denúncia. Em caso de comprovação da irregularidade, é possível pedir ressarcimento do usuário. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, que avalia casos de cobrança como pontuais, os usuários podem denunciar ainda nas 19 coordenadorias regionais.

O presidente da Fetag, Elton Weber, pretende, ao envolver o MP, dar celeridade à garantia de atendimento quando o produtor precisa. "Esses fóruns existem, têm colaborado, mas, dependendo das circunstâncias e do município, as coisas não andam. Tem casos em que, se o agricultor não paga, enfrenta fila de até seis meses para fazer um exame", diz.

Weber ressalta que há boa estrutura especialmente em municípios de menor porte. Apesar disso, a pesquisa mostra que, no geral, o agricultor reprova a saúde no local onde mora. Do total, 49% consideram o atendimento regular, 5%, ruim, e 3%, muito ruim. Para Inque, é um grau considerável de insatisfação e há a necessidade de mudanças não só no atendimento, mas na divulgação. Ela exemplifica que, apesar de 97% dos entrevistados terem algum familiar portador do cartão do SUS, 34% não sabem para que serve o sistema, e 5% desconhecem que ele exista. A mesma desinformação há em relação aos Conselhos Municipais de Saúde.

O assessor técnico da área de saúde da Famurs, Leonildo Mariani, acredita que os municípios estão aplicando mais do que determina a lei. De acordo com dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em média, 22% do orçamento, quando o percentual estabelecido é de 15%. De acordo com Mariani, os repasses federais para manter estruturas e serviços são insuficientes. 'Não se faz recuperação da saúde sem dinheiro. A União hoje está aplicando 7%, enquanto deveria aplicar 10%, e o Estado está fazendo esforços para chegar ao percentual de 12%, mas ainda não chegamos lá.'

A PESQUISA

Quem respondeu:

907 agricultores familiares

em 91 municípios gaúchos

entre abril e setembro de 2013

O perfil da maioria:

56% são homens

25% têm de 41 a 50 anos

49%, renda entre 1 e 2 salários

36% são alfabetizados

91% usam o posto de saúde

89% recebem o agente de saúde

76% trabalham efetivamente no campo

89% não participam de programas sociais do governo


Bookmark and Share

Fonte: Correio do povo





» Tags:Saúde Geral SUS


O que você deseja fazer?

Busca

EDIÇÕES ANTERIORES

Acervo de 09 de Junho de 1997 a 30 de Setembro de 2012. Para visualizar edições a partir de 1 de Outubro de 2012, acesse a Versão Digital do Correio do Povo. No menu, acesse “Opções” e clique em “Edições Anteriores”.