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02/01/2014 14:47 - Atualizado em 02/01/2014 15:19

New York Times e The Guardian pedem clemência para Snowden

Jornais publicaram editorias defendendo as ações do ex-analista da inteligência americana

Jornais defenderam que ex-analista da inteligência americana proporcionou um grande serviço<br /><b>Crédito: </b> Channel 4  / AFP / CP
Jornais defenderam que ex-analista da inteligência americana proporcionou um grande serviço
Crédito: Channel 4 / AFP / CP
Jornais defenderam que ex-analista da inteligência americana proporcionou um grande serviço
Crédito: Channel 4 / AFP / CP

O jornal americano The New York Times e o britânico The Guardian pediram nesta quinta-feira clemência para Edward Snowden, o ex-técnico de inteligência da Agência de Segurança Nacional americana (NSA) acusado de espionagem por suas revelações sobre os programas de vigilância das comunicações dos Estados Unidos.

Em editoriais separados, os dois jornais defenderam o analista refugiado na Rússia desde junho por seus vazamentos dos programas secretos da NSA e suas técnicas de coleta de dados. "Snowden pode ter cometido um crime", afirmou o Times em seu principal editorial, "mas proporcionou um grande serviço para seu país". 

"Considerando o enorme valor da informação que revelou, e os abusos que expôs, Snowden merece mais que uma vida de exílio permanente, medo e fuga", destacou o jornal. "É o momento de os Estados Unidos oferecerem a Snowden um acordo com a promotoria ou alguma forma de clemência", acrescentou.

Já o Guardian pediu a Washington que "permita que Snowden retorne aos Estados Unidos com dignidade", classificando suas revelações como "um ato de coragem moral". Neste sentido, o Times pediu que se faça um trato com Snowden que permita que ele "volte para casa e enfrente ao menos um castigo substancialmente reduzido".

O presidente Barack Obama aceitou o debate sobre o papel da NSA mas se nega a discutir a possibilidade de uma anistia ou indulto presidencial para o ex-técnico. De fato, em meados de dezembro, a Casa Branca insistiu que o fugitivo deve retornar ao país e enfrentar a justiça. "Nossa posição não mudou neste assunto em absoluto", declarou o porta-voz do Executivo, Jay Carney. "Snowedn foi acusado de vazar informações confidenciais e enfrenta acusações por delitos graves nos Estados Unidos", acrescentou.

A promotoria federal americana acusou Snowden de espionagem e roubo de propriedade do governo. O pedido de clemência ganhou força nesta quinta-feira com uma mensagem no Twitter do diretor da organização Human Rights
Watch, Kenneth Roth. "Snowden expôs uma grave má conduta. Outros que apresentam denúncias oficiais foram ignorados/perseguidos. Ele deve ser indultado", tuitou.

Os editoriais também repercutiram os comentários de Rick Ledgett, funcionários da NSA que dirigiu um grupo de trabalho que investigou os danos causados pelos vazamentos de Snowden. Ledgett afirmou ao programa "60 minutes" da CBS, no mês passado, que estaria aberto a um trato com Snowden se ele deixar de expor os segredos do governo.

Em sua primeira aparição na TV desde que se refugiou em Moscou, em junho passado, o ex-analista fez uma defesa da privacidade em uma mensagem "alternativa" de Natal, transmitida em 25 de dezembro pela emissora britânica Channel 4. Após desejar Feliz Natal aos telespectadores, Snowden falou da descoberta de um sistema de vigilância global e que "juntos podemos encontrar um equilíbrio maior, acabar com a vigilância maciça e lembrar ao governo que se realmente quer saber como nos sentimos, perguntar é mais barato do que espionar".

Segundo os documentos vazados por Snowden, os alvos da espionagem variavam de cidadãos comuns a empresas e líderes de países amigos. O ex-analista está em Moscou, onde conseguiu asilo até o próximo agosto.

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Fonte: AFP







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