Porto Alegre, sábado, 20 de Dezembro de 2014

  • 07/01/2014
  • 17:39
  • Atualização: 17:49

Menos de 7% das multas a estrangeiros no RS foram pagas desde 98

Falta de tecnologia e de patrulheiros contribuem com impunidade

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  • Samuel Vettori / Rádio Guaíba

Balanço obtido pela reportagem da Rádio Guaíba mostra que apenas 6,4% das 391 mil multas aplicadas a condutores estrangeiros desde 1998 foram pagas no Rio Grande do Sul. O dado do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) revela que 365 mil infrações cadastradas não foram quitadas.

Desde 2011 a legislação permite que as autoridades brasileiras não deixem sair do país os carros com pendências, mas a falta de uma tecnologia para identificar os automóveis com débitos aliada ao número insuficiente de patrulheiros contribuem para que só uma parcela pequena do total de infratores pague a multa, reconheceu o coordenador técnico do Comitê Estadual de Mobilização de Segurança do Trânsito, tenente-coronel Ordeli Gomes.

De 1998 até agora, o ano de 2005 foi o que mais registrou multas: foram quase 40 mil. Em 2004 ocorreu o menor índice de pagamento de débitos no período. O ano em que mais ocorreu o pagamento de multas foi o de 2009. O percentual foi de 10,7%.

A Polícia Rodoviária Federal divulgou que 285 das multas aplicadas por excesso de velocidade na freeway e na BR 101 no domingo passado foram cometidas por estrangeiros. Se a média de inadimplência for mantida (93,4%), só 18 pagarão antes de deixar o Brasil.

Número de inadimplentes pode aumentar ainda mais em 2014

Para o oficial, é necessário que se utilize uma tecnologia de leitura de placas, a fim de facilitar o trabalho dos patrulheiros na abordagem de veículos com multas não pagas. Velocidade acima do limite e ultrapassagens em locais indevidos são as principais infrações cometidas por estrangeiros, conform Gomes. Ele reconheceu que o número de multas pode aumentar – sem o consequente pagamento – com o ingresso de argentinos que vão assistir a jogos da seleção do país vizinho em Porto Alegre durante a Copa do Mundo.

Nos municípios de fronteira há postos de combustíveis, farmácias e restaurantes, por exemplo, conveniados com o Banrisul, que recebem os débitos fora do horário bancário. Se eventualmente um condutor com despesas a serem quitadas for abordado de madrugada, ele precisa esperar até o dia seguinte para pegar o carro.

As cidades que mais sentem o fluxo de retorno de estrangeiros no Rio Grande do Sul são Uruguaiana, São Borja, Santana do Livramento e Chuí. “Precisamos buscar uma situação para que tenhamos a busca dos valores pendentes e para que acima de tudo as pessoas que vêm ao Brasil saibam que as multas que aqui acontecem são efetivamente cobradas, porque isso vai ter um retorno grande na segurança do trânsito, que é o objetivo final”, finalizou o oficial.

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TAGS » Trânsito, Multas