Porto Alegre, quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

  • 15/01/2014
  • 07:22
  • Atualização: 07:38

Empaca revitalização do Cais Mauá em Porto Alegre

Obras não ficarão prontas antes da Copa do Mundo

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  • Luiz Sérgio Dibe / Correio do Povo

Almejada pelos porto-alegrenses como a chance de um reencontro com o Guaíba, a revitalização do Cais Mauá está empacada em trâmites administrativos e, dificilmente, será materializada antes da Copa do Mundo. A perspectiva negativa não frustra apenas os sonhos da população de bairros da área central da Capital, mas também dissolve em incerteza o planejamento de investimentos dos empresários que enxergam no grande evento esportivo a oportunidade para alavancar seus novos empreendimentos.

'A cidade está pronta para receber o cais, os empresários estão prontos para investir nele. O governo parece não estar pronto para tocar esse importante projeto', disparou o presidente eleito do Sindicato de Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre, Henry Chmelnitsky. Ele assumirá a gestão da entidade nesta quinta-feira e atuará pelos próximos quatro anos, de olho no desenvolvimento do setor e no Cais Mauá.

Para Chmelnitsky, o projeto tem significado especial para a sociedade porto-alegrense e gaúcha. "A revitalização será excelente para a comunidade. Trará novidades positivas nas áreas de economia, geração de emprego, acesso a cultura e lazer, propiciará mais segurança naquela parte da cidade, entre muitas vantagens obtidas com um projeto dessa natureza", avalia.

O presidente eleito do sindicato menciona a restauração da Praça da Alfândega como modelo de transformação positiva. "A praça, que faz parte da história de Porto Alegre, estava assolada pela ocupação de prostitutas, usuários de drogas e criminosos. Com a revitalização, ganhou iluminação, beleza e aspecto de limpeza que cativaram os cidadãos a ocupar o espaço. Com as pessoas e suas atividades presentes, a violência se afasta", definiu o presidente do Sindpoa.

Chmelnitsky admitiu, com pesar, que será praticamente impossível conciliar a recuperação do cais com a presença massiva de turistas por conta da Copa do Mundo. 'Faltam somente cinco meses. O cais agregaria valor ao interesse turístico e o consumo na Capital. Infelizmente, há muitas incertezas sobre o futuro do empreendimento e sua relação com a Copa', lamentou.

Especialista no tema, o diretor-presidente da Associação Brasileiros de Terminais Portuários, Wilen Manteli, concorda que a Copa de futebol seria oportunidade especial para se fazer prosperar a iniciativa. "Seria excelente aquisição da cidade para o período da Copa. Apesar disso, o projeto continuará sendo muito importante para o desenvolvimento de Porto Alegre. Pena que não ganhou corpo como se imaginava há alguns anos." O especialista afirmou que o processo teve andamento e parou algumas vezes, como no caso de indefinição dos investidores internacionais, "o que prejudicou o seu desempenho", finalizou Manteli.

Associação teme cenário "estranho"

Se a classe empresarial se diz decepcionada pela morosidade da revitalização do Cais Mauá, moradores do Centro Histórico se posicionam adversos pela alegada exclusão nas decisões acerca do projeto. O debate, capitaneado pela Associação dos Moradores do Centro Histórico, é de que existe desproporção entre o que está sendo concedido aos investidores e o que retornará como benefício para a população.

Para o presidente da entidade, Paulo Guarnieri, o desenho definido no projeto não se alinha com os desejos populares. "Pior que isso: irá transformar o cenário histórico num ambiente estranho para os porto-alegrenses", advertiu. Guarnieri lembrou que é antiga a vontade da comunidade central da Capital de ocupar os belos espaços à beira do Guaíba. "O sonho era de utilizarmos os armazéns para atividades comunitárias, artísticas e culturais. O problema é que, pelo projeto atual, isso somente acontecerá mediante a autorização para construção de torres comerciais, shopping center, hotéis de luxo e uma série de modificações as quais não concordamos que sejam as melhores para a cidade", defende Guarnieri.

Um dos principais pontos de controvérsia é a mudança na paisagem. "Esses equipamentos estranhos poderão esconder a Usina do Gasômetro, que é um importante patrimônio histórico e arquitetônico. Quem olhar Porto Alegre, daqui a alguns anos, irá enxergar outra cidade. Será assim para quem olhar para o Guaíba", alertou o representante da associação do Centro.

Dois armazéns funcionarão na Copa

Representantes da administração pública e do consórcio administrador dos investimentos e das obras reconhecem a complexidade do projeto de revitalização do Cais Mauá e confirmam que não haverá significativa presença de novidades até a metade do ano. Conforme o dirigente da Porto Cais Mauá do Brasil, André Albuquerque, dois armazéns estarão em funcionamento com oferta de vários serviços de gastronomia para o período da Copa do Mundo de Futebol.

Até lá, porém, pouquíssimas transformações serão notadas pelos porto-alegrenses. "Desde o ato para início das obras, em novembro do ano passado, ocorrem etapas de limpeza dos ambientes e de demolição dos 'puxadinhos' edificados irregularmente nos armazéns, como banheiros, vestiários e refeitórios. Os armazéns serão integralmente preservados por serem parte do patrimônio histórico", descreveu o dirigente da Porto Cais Mauá do Brasil.

André Albuquerque destacou que o investimento total será de R$ 750 milhões. Serão erguidos dois hotéis (um ao estilo butique e um quatro estrelas); um shopping center com 25 mil metros quadrados de área para locação; um centro de eventos com 5 mil metros quadrados; e três torres de salas comerciais com 20 andares cada uma.
A previsão de entrega está sendo estimada para 2017. As obras se estenderão da Usina do Gasômetro até as proximidades da Estação Rodoviária.

Pela Prefeitura de Porto Alegre, o secretário de Desenvolvimento e Assuntos Especiais, Edemar Tutikian, informou que os licenciamentos estão todos com tramitação no prazo adequado. O secretário municipal Edemar Tutikian considera o projeto como uma das mais importantes intervenções arquitetônicas da atualidade.

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