Porto Alegre, domingo, 23 de Novembro de 2014

  • 19/01/2014
  • 09:50
  • Atualização: 10:36

Morro da Borússia é um dos mais belos pontos turísticos do Litoral

Localizada em Osório, em meio à Mata Atlântica, a elevação, possui aproximadamente 400 metros

Morro da Borússia, em Osório, guarda parte da história cultural do Estado | Foto: Tarsila Pereira

Morro da Borússia, em Osório, guarda parte da história cultural do Estado | Foto: Tarsila Pereira

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  • Correio do Povo

 Lendas, mitos e costumes seculares compõem o passado e o presente de um dos principais cartões-postais do Litoral Norte. Graças a uma iniciativa cultural desenvolvida desde o ano passado, essa história está sendo esmiuçada. O projeto “Observatório do Morro da Borússia: Sensibilidade e Lugar” destina-se a coletar, por meio de um site, imagens e relatos que caracterizam as comunidades localizadas na região. O projeto é desenvolvido pela Associação Arena de Arte e Cultura e pela Cida Cultural, com financiamento do Fundo de Apoio à Cultura do governo do Estado.

Localizada em Osório, em meio à Mata Atlântica, a elevação, de aproximadamente 400 metros, tornou-se um importante ponto turístico que possibilita uma visão privilegiada do Litoral. Lá de cima é possível enxergar toda a cidade de Osório (inclusive suas lagoas e o Parque Eólico), Tramandaí e Imbé. Segundo a professora e artista plástica Maria Helena Bernardes, que coordena o projeto, a região alvo do estudo  — colonizada predominantemente por açorianos  — foi um dos locais em que teve início a “história brasileira do Rio Grande do Sul”. “Percebemos de imediato a riqueza deste lugar em termos de confluência de tradições culturais e de composição étnica”, observa.

O Observatório contempla as “sensibilidades” que caracterizam as comunidades não apenas de Osório, mas em especial aquelas situadas entre as encostas da Serra do Mar e o Oceano Atlântico. “A sensibilidade é toda a forma como o morador percebe a si mesmo e a natureza, e como ele expressa o que percebe, dentro das várias artes”, explica a coordenadora. A riqueza cultural muitas vezes é ignorada pelo veranista, que frequenta o Litoral como opção sazonal de lazer. “É uma ação bastante modesta em relação à riqueza de elementos culturais e práticas sociais, mas eu espero que possa ao menos estimular a autoconsciência do litorâneo em relação a essa riqueza e que ele possa buscar nas suas gavetas fotografias do passado dessa região”, diz Maria Helena.

No Morro da Borússia, algumas das tradições herdadas dos primeiros colonizadores seguem em uso, especialmente na culinária. O cuscuz preparado no distrito da Borússia, por exemplo, é diferente da versão portuguesa. “É uma receita que os açorianos trouxeram e eles adaptaram, conhecendo a farinha de mandioca, dos indígenas, e fizeram uma composição meio adocicada, com algumas ervas”, observa Maria Helena. Outro costume que permanece, embora de forma velada, é a chamada “coberta da alma”, em que uma pessoa é escolhida pela família para “representar” o falecido durante atos fúnebres.

No site www.observatorioborussia.org.br há textos, ensaios e imagens sobre o Litoral Norte, além de sua conformação histórica, geográfica, cultural e artística. Entre as lendas já disponibilizadas estão a do tesouro de um pirata que teria sido procurado no morro.

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