Porto Alegre, sábado, 25 de Outubro de 2014

  • 23/01/2014
  • 13:25
  • Atualização: 13:26

Brasil pode crescer a taxas maiores, diz Mantega

Ministro da Fazenda fez questão de reafirmar que os investimentos serão feitos em parceria com o setor privado

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  • AE

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acredita que o Brasil passará a crescer em um ritmo mais veloz nos próximos anos e a média de expansão da economia será maior que a registrada nos últimos anos. A previsão foi feita nesta quinta durante entrevista coletiva realizada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. "O Brasil tem condições de crescer a taxas maiores em relação ao que vem crescendo nos últimos anos", disse o ministro.

Com a promessa de incentivar o investimento na economia brasileira, Mantega fez a otimista previsão de que a formação bruta de capital fixo pode chegar perto de 24% do Produto Interno Bruto (PIB). "Vamos acelerar a formação bruta de capital fixa, passar dos 20% do PIB e caminhar para 24% do PIB", disse. O ministro argumenta que o aumento do investimento é uma resposta ao baixo investimento nas últimas décadas.

"Agora temos de privilegiar a expansão do investimento, principalmente em infraestrutura para tirar gargalos da estrutura produtiva. Nos últimos 30 a 40 anos, o Brasil investiu pouco. Mas nos últimos 10 anos, o investimento vem crescendo em torno de 6%. Em 2013, o investimento cresceu bem e chegou a 6,5%. Agora, o governo lançou um grande programa de concessões", disse na entrevista.

Mantega fez questão de reafirmar que os investimentos serão feitos em parceria com o setor privado. "O setor privado, em parceria com o governo, deverá implementar centenas de bilhões de dólares em investimentos no País. São praticamente dos os setores importantes da economia, como petróleo e gás, energia, rodovias, ferrovias e aeroportos", disse.

Inflação

O ministro reafirmou ainda a promessa de que o governo brasileiro seguirá atento ao controle da inflação. Em Davos, ele comemorou o resultado do IPCA-15 divulgado mais cedo. "O IPCA-15 veio abaixo da expectativa do mercado", comemorou.

"O Brasil tem controlado a inflação. Nos últimos 10 anos, temos ficado abaixo do limite máximo do regime de metas de inflação e vamos continuar assim nos próximos anos. O controle da inflação continuará sendo prioridade do governo sempre", disse durante a entrevista.

Além do controle da inflação, Mantega prometeu diversas vezes reforçar o volume de investimentos na economia. Isso será feito, segundo ele, ao mesmo tempo em que o governo agirá para reduzir o custo Brasil. "Ao mesmo tempo, vamos reduzir o custo do transporte e da importação e exportação", exemplificou.

"Crescer com um investimento forte é depender das nossas próprias condições porque já temos demanda interna. São negócios (os investimentos) lucrativos que vão atrair capitais. E terão apoio do governo para que sejam implementados", disse.

Política fiscal

Mantega se recusou a afirmar qual será o conteúdo do discurso da presidente Dilma Rousseff amanhã no Fórum Econômico Mundial. Mantega preferiu defender que é necessário que o Brasil tenha uma política fiscal sólida, mas não antecipou qualquer informação sobre a meta de esforço fiscal em 2014. "Acho que é necessário que mantenhamos sempre uma política fiscal sólida e é isso que continuaremos fazendo", disse.

O ministro reconheceu que o Brasil produziu resultados fiscais inferiores nos últimos anos como resultado das medidas para minimizar o efeito da crise internacional. "Fizemos um grande esforço nos últimos anos em que tivemos de fazer uma política anticíclica. Então, o primário foi um pouco menor", disse.

"Mesmo assim, o superávit primário do Brasil é o maior entre os BRICS. Continuaremos a fazer o primário necessário para continuar reduzindo a dívida líquida do setor público. E isso será feito também em 2014", disse Mantega, ao informar que ainda não há uma definição para a meta de 2014. "Só temos aquela proposta orçamentária apresentada em agosto. No início de fevereiro, devemos apresentar o formato final do desempenho orçamentário de 2014. Então, diremos quando vai ser contingenciado e teremos, com mais precisão, qual será o superávit primário de 2014", disse.

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