Porto Alegre, domingo, 23 de Novembro de 2014

  • 24/01/2014
  • 17:04
  • Atualização: 17:48

ONU confirma morte de pelo menos 48 muçulmanos por um grupo de budistas

Porta-voz presidencial de Mianmar contesta fortemente as afirmações da ONU

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  • AE

A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou que pelo menos 48 muçulmanos foram aparentemente mortos quando grupos de budistas atacaram uma vila de uma remota região de Mianmar.

O porta-voz presidencial Ye Htut disse que "contesta fortemente" as afirmações da ONU e disse que as informações e dados estão "totalmente errados".

Comunicado emitido nesta sexta-feira pelo Ministério de Relações Exteriores de Mianmar diz que os relatos dos eventos divulgados por meios de comunicação e agências de notícias internacionais foram "baseadas em conclusões injustificadas a partir de informações não verificadas" e levaram a mal-entendidos entre comunidades étnicas na região.

O documento adverte jornalistas e diplomatas de que "divulgar informações não confirmadas" é equivalente a interferir nos assuntos internos de Mianmar. O país, cuja maior parte da população é budista, tem registrado episódios de violência sectária desde junho de 2012.

O incidente ocorrido na vila de Du Chee Yar Tan, localizada no Estado de Rakhine do Norte, norte do país, parece ser o mais violento em um ano e eleva o número total de mortos em episódios de violência no país, a maioria muçulmanos, para mais de 280.

O Estado de Rakhine do Norte, que abriga 80% da população de 1 milhão de muçulmanos rohingya do país, está fora da área na qual jornalistas internacionais e trabalhadores humanitários têm acesso, o que torna ainda mais difícil confirmar detalhes sobre o que aconteceu. Segundo moradores, os ataques começaram em 9 de janeiro e chegaram ao ápice nas primeiras horas de 14 de janeiro.

Grupos de budistas, que queriam vingar o sequestro e assassinato de um policial da etnia rakhine por moradores de vilas rohingya, invadiram o local durante a noite com facas, paus e armas e mataram várias pessoas, disseram moradores da região à Associated Press. Muitas das vítimas eram mulheres e crianças que foram agredidos até a morte.

O grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras disse que tratou de 22 pessoas, algumas com ferimentos, e pediu ao governo que garanta o acesso seguro às pessoas afetadas, muitas das quais ainda estão escondidas.

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