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27/01/2014 23:55 - Atualizado em 28/01/2014 00:02


Mãe encontra forças ao escrever diário para o futuro da filha

Patricia estava grávida quando marido perdeu a vida na boate Kiss

Patricia estava grávida quando marido perdeu a vida na boate Kiss, hoje escreve para encontrar forças<br /><b>Crédito: </b> André Ávila
Patricia estava grávida quando marido perdeu a vida na boate Kiss, hoje escreve para encontrar forças
Crédito: André Ávila
Patricia estava grávida quando marido perdeu a vida na boate Kiss, hoje escreve para encontrar forças
Crédito: André Ávila

Todos dizem que a sorridente Joana, dez meses de vida, é a cara do pai. “Ela só tem o meu nariz”, reconhece a mãe, a advogada Patrícia Carvalho, 36 anos. O nascimento dela, em março de 2013, foi como um recomeço para a família. O pai João Aloísio Treulieb, que era chefe do bar da boate Kiss, foi uma das 242 vítimas fatais do incêndio e não chegou a conhecer a filha.

Patrícia estava grávida de 7 meses quando ocorreu a tragédia. Ela e Treulieb haviam se conhecido há dez anos. No dia 31 de março do ano passado, iriam celebrar um ano de casados. “Ficou tudo muito confuso”, conta ela. “Minha preocupação, no primeiro momento, era o que dizer para a Joana”, explica. A solução encontrada ajuda tanto a mãe, quanto a filha. Desde o dia do incêndio, Patrícia escreve um diário, que no futuro ela irá entregar para a filha.

“Não me sentia à vontade para conversar com outras pessoas. O diário foi como um escape”, explica a advogada. De acordo com ela, a sugestão de escrever partiu de uma psicóloga. Hoje já são cerca de 500 páginas, que incluem recortes de jornal e fotografias do pai. “Quando ela começar a ir à escola, vai me questionar, pois vai ver outros pais frequentando”, conta. Ao mesmo tempo em que fala sobre Treulieb - que teria retirado quatro pessoas da boate antes de morrer -, Patrícia aborda momentos importantes da vida de sua filha, como o momento em que nasceram os primeiros dentinhos. “Estou pensando em transformar em um blog”, revela.

Funcionário da Kiss desde 2011, Treulieb não via a hora de nascer a primeira filha. “Ele estava ansioso, sempre me acompanhava no ultrassom”, conta Patrícia. “Não tínhamos planos de ter um bebê tão cedo. No primeiro momento foi aquele susto”, observa. Logo, o casal começou a fazer planos para o bebê. Decidiram que, dependendo do sexo, seu nome seria Joana ou João - como o pai. Treulieb chegou a decorar o quarto da filha no apartamento do casal.

Hoje, a cada sorriso de Joana, é como se Patrícia visse o marido novamente. “Ela tem uns tiques dele de vez em quando. Ela me olha e parece ele me olhando”, descreve. Com ajuda de amigos e familiares, ela voltou a trabalhar em agosto. Sua maior motivação, claro, é a filha. “Foi o que nos manteve de pé. Passei a viver em função da nenê”, conta. No entanto, ela evitar fazer planos para o futuro - exceto continuar a preencher o diário. “Depois do acidente, decidi que não iria mais fazer planos a longo prazo. Ainda estou me organizando.”

Vítima ajudou nos resgates

Em um dos trechos do diário que escreve para a filha, Patrícia conta que, antes de morrer, o marido ajudou a salvar alguns dos frequentadores da boate. “Ele estava na frente da boate quando começou o tumulto, entrou e saiu algumas vezes carregando pessoas e, em uma das vezes que entrou, não mais saiu”, explica.

Em um primeiro momento, a mãe pensou em retratar o pai de Joana como um herói. Mas, segundo ela, não era essa a imagem que João gostaria de ter. “Ele foi mais um de tantos que foram solidários que arriscaram a vida ajudando outras pessoas”, justifica. “Quero dizer para ela que, acima de tudo, o pai dela era uma pessoa que se preocupava com os outros, a ponto de ter sido uma das vítimas ao tentar salvar outras vidas”, define a advogada.


Fonte: Danton Júnior/Correio do Povo






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