Porto Alegre, sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

  • 28/01/2014
  • 15:39
  • Atualização: 15:48

Síria acusa EUA de armar rebeldes e negociações de paz são interrompidas

Oposição afirma que regime de Al Assad se recusa a cooperar sobre qualquer tema em Genebra

O mediador da ONU Lakhdar Brahimi suspendeu a sessão porque o regime não cooperava sobre nenhum tema | Foto: Fabrice Coffrini / AFP / CP

O mediador da ONU Lakhdar Brahimi suspendeu a sessão porque o regime não cooperava sobre nenhum tema | Foto: Fabrice Coffrini / AFP / CP

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  • AFP

As negociações de paz entre o regime sírio e a oposição foram interrompidas nesta terça-feira, depois dos representantes do governo de Bashar Al-Assad acusarem os Estados Unidos de reforçar os rebeldes com armamentos. "Não há sessão nesta tarde ou nesta noite. Haverá uma sessão amanhã", declarou Rima Fleyhan, da delegação da oposição.

Segundo a opositora, o mediador da ONU Lakhdar "Brahimi suspendeu a sessão porque o regime não cooperava sobre nenhum tema". O vice-ministro das Relações Exteriores sírio, Faysal Moqdad, declarou aos jornalistas que a reunião desta terça-feira tinha que se concentrar em Genebra I. "Dissemos depois que havia uma evolução importante ligada à decisão da administração americana de fornecer armas aos grupos terroristas. E lemos um comunicado que provocou discussões, mas o outro grupo afirmou que apoiava a decisão americana", acrescentou.

Damasco considera que todos os grupos rebeldes são terroristas. Segundo o comunicado que acusou os EUA, "esta decisão é uma tentativa direta de impedir qualquer solução política na Síria". O secretário americano de Estado, John Kerry, disse no dia 22 de janeiro em Montreux que os Estados Unidos buscavam formas de pressão contra o regime de Damasco, aumentando sua ajuda à oposição. "Direi apenas que estão sendo estudadas várias opções, incluindo o prosseguimento do apoio, ou inclusive um maior apoio à oposição", acrescentou, sem dar mais detalhes.

Os rebeldes que lutam contra as tropas do regime sempre exigiram armas, mas Washington mostrou-se até agora reticente em entregá-las, alegando que poderiam cair nas mãos de extremistas. Após um primeiro fracasso que na segunda-feira bloqueou as negociações, Brahimi queria voltar a colocar sobre a mesa nesta terça-feira o tema crucial da transição política. A declaração de Genebra I, adotada em junho de 2012 pelas grandes potências, é alvo de polêmica desde o início entre partidários e adversários do presidente Assad.

A oposição considera que Genebra I é sinônimo de governo de transição e saída de Assad, no poder desde 2000.
Mas o regime considera que a declaração convoca um governo de união nacional ampliado, e que a eventual saída do presidente deve ser decidida pelos sírios em eleições. As delegações falaram durante o fim de semana, sem alcançar avanços, de questões humanitárias, como a situação em Homs e o problema de milhares de prisioneiros e desaparecidos no conflito.

Militantes de Homs fizeram nesta terça-feira um chamado à oposição em Genebra para obter o fim do cerco realizado há 600 dias pelas tropas do regime contra os bairros rebeldes desta cidade do centro da Síria. Brahimi anunciou no domingo que obteve do regime a promessa de que deixaria as mulheres e crianças saírem, e permitiria a entrada dos comboios humanitários.

Mas o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), que não consegue ter acesso ao enclave rebelde desde novembro de 2012, afirmou que o poder sírio não havia tomado nenhuma medida concreta. E os próprios militantes afirmaram que nenhuma ajuda havia chegado. Considerada o foco da contestação, a terceira maior cidade da Síria pagou um preço muito alto por sua oposição a Assad.

"As pessoas sitiadas não apenas querem a entrada de ajuda humanitária. É preciso parar o ataque e garantir a entrada e a saída segura dos habitantes", afirmaram os ativistas em um comunicado divulgado na internet. Segundo eles, se o ataque não for levantado, "qualquer solução será inútil e não poderá colocar fim a esta tragédia". Enquanto isso, em terra as tropas do regime conseguiram avançar no limite sudeste de Aleppo, perto do aeroporto internacional, provocando a fuga de muitos habitantes que temem ser vítimas dos combates, afirmou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).


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