Porto Alegre, segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

  • 30/01/2014
  • 22:12
  • Atualização: 23:08

Assessora de Obama apresentou ao Brasil explicações sobre espionagem

Ministro brasileiro das Relações Exteriores se reuniu com a conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca

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  • AFP

A conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Susan Rice, apresentou nesta quinta-feira ao ministro brasileiro das Relações Exteriores, Luiz Fernando Figueiredo, explicações sobre a revisão dos procedimentos de espionagem feitos pela Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês). "Essas explicações serão analisadas pelo governo brasileiro e aí vamos ver. A presidente Dilma vai decidir os próximos passos", afirmou o ministro.

Sobre a conversa com Rice, Figueiredo disse: “No dia antes do discurso do presidente Obama sobre a revisão nos procedimentos de inteligênciaRice me ligou e me convidou para vir aqui para conversar sobre o anúncio feito e esclarecimentos que eu pudesse pedir a ela sobre o que vai ser feito".

O chanceler brasileiro não quis revelar o conteúdo da reunião com a conselheira, limitando-se a comentar que "o lado americano sabe perfeitamente o que nos queremos deles e, por isso, estamos num processo de esclarecimento para encaminhar essa questão".

Figueiredo também evitou confirmar que o governo brasileiro tenha exigido um pedido formal de desculpas por parte dos EUA pela interceptação das comunicações pessoais da presidente Rousseff, feitas pela NSA. “As relações de Brasil e Estados Unidos são densas, importantes, somos dois parceiros, mas que temos questões a resolver", declarou o ministro.

A Casa Branca se limitou a informar que, na reunião, Rice apresentou os resultados da revisão das atividades americanas de inteligência e as reformas que serão implementadas como anunciado pelo presidente Obama em seu discurso de 17 de janeiro.

A denúncia sobre a interceptação telefônica da presidente Dilma por parte da NSA foi o pior episódio nas relações bilaterais entre EUA e Brasil em várias décadas, a ponto de promover a suspensão de uma visita de Estado que Dilma faria a Washington em outubro passado.

Em meio ao escândalo por espionagem, Obama ordenou uma revisão completa das operações de inteligência, em especial contra cidadãos estrangeiros e chefes de Estado, ou de Governo, e uma reforma dos procedimentos.  Embora o pacote de reformas deixe os líderes estrangeiros explicitamente fora do alcance da Inteligência, um pedido formal de desculpas não é cogitado. “Não vamos pedir desculpas pelo fato de que nossos serviços [de inteligência] são mais eficientes", afirmou.

Na semana passada, uma alta fonte do Departamento de Estado havia dito à imprensa que, entre as prioridades da diplomacia dos Estados Unidos este ano, destaca-se retomar as relações com o Brasil.

O escândalo foi deflagrado pelas revelações do ex-analista de inteligência americana Edward Snowden, que hoje se encontra refugiado na Rússia. "Em momento nenhum de minha conversa com Rice se falou do Snowden", garantiu Figueiredo.

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