Porto Alegre, quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

  • 06/02/2014
  • 14:18
  • Atualização: 16:10

Greve põe em risco atendimentos em saúde e prejudica serviços públicos na Capital

Na AACD, pais não conseguem arcar com os deslocamento e faltas nas consultas cresceram

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  • Mauren Xavier/Correio do Povo

A greve dos rodoviários na Capital tem colocado em risco o tratamento de pacientes, mesmo daqueles que moram no Interior. Um exemplo pode ser acompanhado na manhã desta quinta-feira na sede da Associação de Assistência a Criança Deficiente (AACD), no bairro Jardim do Salso. No local são prestados diversos serviços de atendimento à saúde de crianças de todo o Estado. Muitos pais não estão conseguindo arcar com os custos de deslocamento e as faltas nas consultas cresceram drasticamente nas duas últimas semanas.

“Às vezes ficamos sem pacientes para atender. É uma pena porque o tratamento é contínuo e faltas podem comprometer a evolução do paciente”, comentou a fisioterapeuta Adriana Monteblanco, que trabalha há 12 anos na AACD. Moradora do município de São Gabriel, Rosane Cabreira já reavalia se conseguirá trazer o filho Kauã, de 6 anos, na próxima semana, caso a greve permaneça. Isso porque ela desce na Rodoviária e de lá pega um ônibus até o Jardim do Salso. O passe em Porto Alegre é gratuito. Sem ônibus, ela precisou pegar uma van ou dividir um táxi com outra mãe. “É complicado porque ele se desloca em uma cadeira de rodas, então não é qualquer veículo que nos aceita”, comentou.

Ao lado dela, a mãe da pequena Manuela, de 2 anos, Fabiane Godinho, também relatou as suas dificuldades para trazer a filha para as consultas e sessões de fisioterapia. Mãe e filha vêm de Bento Gonçalves, na região Serrana, para Porto Alegre de transporte específico. Mas o retorno é por conta própria. Assim, elas precisam pegar um ônibus ou táxi até a Rodoviária. “Nessa semana dividi o táxi com uma mãe para reduzir os custos, mas não adiantou nada. Ao chegar na Rodoviária, o taxista cobrou o dobro do valor da viagem”, lamentou ela.

Os transtornos não param por aí. Na Farmácia de Medicamentos Especiais do Estado, na avenida Borges de Medeiros, no Centro, os pacientes e familiares sofrem com a dificuldade para conseguir chegar ao local e depois com o tempo de espera. “Saí cedo de casa, peguei a lotação super cheia e ainda tenho que enfrentar essa fila. É muito descaso”, comentou Sereni Fraga de Souza, que mora no bairro Passo D’Areia. Ao lado dela, Elisabete Marchioro tentava pegar a medicação para a mãe que faz hemodiálise. “É desumana essa situação”, lamentou.

Além disso, com a utilização do primeiro andar do prédio, a Farmácia mudou de horário, passando a atender das 8h às 18h. Antes a abertura ocorria às 7h e o fechamento às 17h. A mudança pegou muitas pessoas de surpresa. “Cheguei às 5h para ser o primeiro atendido e descobri que teria que esperar mais”, lamentou Samuela Zenatti, que buscava os medicamentos para o pai.

Serviços públicos prejudicados
Quem pretende fazer a Carteira de Identidade nos próximos dias em Porto Alegre deve ter atenção redobrada. Em função da greve dos rodoviários, que chegou hoje ao 11º dia, o Departamento de Identificação, do Instituto-Geral de Perícias (IGP), na avenida Azenha, está fechado para atendimento externo até o final da paralisação. A única exceção que está ocorrendo é na entrega dos documentos prontos. A justificativa é que desde o início da greve os funcionários não conseguem chegar ao local.

A alternativa é buscar atendimento em uma das três unidades do TudoFácil em Porto Alegre, que, por sinal, também sentem o impacto da paralisação. Com o quadro de profissionais incompleto por causa da greve, a rede teve o horário de funcionamento reduzido, atendendo ao público das 8h às 16h. A rede é formada pelas unidades Centro, localizada na Borges de Medeiros, 521; a zona Sul, Rua Wenceslau Escobar, 2666; e a zona Norte, na rua Domingos Rubbo, 51.

Para a moradora do bairro Glória, Taiane Peralta, a tentativa de fazer a carteira de Identidade da filha Luisa foi em vão na manhã de ontem. Após enfrentar os transtornos para conseguir chegar ao Centro de van, descobriu que o número de senhas para o serviço já estava esgotado. “É uma pena porque vim só para fazer isso. E agora terei que retornar outro dia. Quem sabe tenha mais sorte”, comentou ela, ao sair da unidade. Já Elissandra Alves deixou o Tudo Fácil comemorando que conseguiu encaminhar a Carteira de Trabalho. “Pelo menos alguma coisa deu certo”, disse ela, que está desempregada. Ela lembrou ainda que demorou quase duas horas no deslocamento da sua casa, na zona Norte, até o Centro. “E aindavim apertada na lotação”.

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