Porto Alegre, quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

  • 07/02/2014
  • 07:27
  • Atualização: 07:28

Empresas pressionam e falam em vender ônibus

Prefeitura de Porto Alegre adianta que não teria como fazer a compra

Empresários visam vender seus consórcios de ônibus para a Prefeitura de Porto Alegre | Foto: Paulo Nunes

Empresários visam vender seus consórcios de ônibus para a Prefeitura de Porto Alegre | Foto: Paulo Nunes

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  • Fernanda Pugliero / Correio do Povo

Um dos ingredientes que marca os bastidores da greve dos rodoviários, que hoje completa 12 dias, é a articulação dos empresários que visam a vender seus consórcios de ônibus para a Prefeitura de Porto Alegre. A transação ficaria na casa dos bilhões de reais. Entrariam no cálculo as dívidas com renovação de frota, paralisada no ano passado, o gasto com a demissão de cerca de 8 mil funcionários, a indenização pelo cessamento da permissão e o valor de pelo menos 1,3 mil veículos, a maioria com menos de sete anos de depreciação.

A iniciativa foi confirmada pelo gerente executivo do sindicato patronal e da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), Luiz Mário Magalhães Sá, que acusou a prefeitura de deixar de cumprir a metodologia do cálculo da tarifa a partir de liminar do Tribunal de Contas no ano passado. A mudança, que passou a considerar a frota operante e não mais a total no cálculo da passagem, segundo os empresários, trouxe algum prejuízo. "A venda das empresas está em aberto. A questão reside em valores. A prefeitura tem uma arma que é a desapropriação. Eles (prefeitura) poderiam nos desapropriar e depois acertaríamos o valor na Justiça". As empresas esperam lucrar ainda mais com uma ação, movida em junho passado, na qual pedem na Justiça o ressarcimento pelo congelamento da tarifa em 2013. O valor da indenização hoje está em R$ 60 milhões.

Os empresários estão cientes, no entanto, de que a prefeitura não teria como pagar os investimentos. "Nós não podemos é levar um pontapé do sistema", disse Magalhães Sá. Ao reafirmar que os donos das empresas estão tendo prejuízo, o gerente ATP fala que a proposta de venda está aberta a terceiros. "Se por acaso for encontrado alguém meio louco que queira colocar dinheiro no serviço de transporte, será muito bem-vindo'".

A prefeitura encarou as declarações do sindicato das empresas de ônibus como uma forma de pressão. O governo municipal descarta a possibilidade de estatizar o transporte e aponta que o edital para a licitação do serviço será lançado no dia 4 de março. "A conjuntura atual e a intervenção feita na tarifa de 2013 motivam essa declaração dos empresários. É uma forma de pressão, disso não resta dúvida", afirmou Vanderlei Cappellari, diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação.

Segundo ele, a prefeitura não teria recurso para comprar as empresas nem teria interesse. "Vamos fazer a licitação e, se os atuais operadores decidirem que não é um negócio com retorno financeiro, outros irão aparecer". Cappellari disse, no entanto, que, apesar de a prefeitura não ter condições para comprar as empresas, poderia fazer a desapropriação dos atuais permissionários. "O máximo seria desapropriá-los e depois discutir os valores no Judiciário". Ele aponta que o prejuízo atualmente observado no balanço da Carris não é histórico, ou seja, as concessionárias estão lucrando pelo menos 6% do valor de cada passagem. "A dificuldade é momentânea. A Carris poderia assumir todo o serviço público do transporte, como já fez no passado, mas a atual administração quer manter o cenário que hoje está colocado". 

A frota atual da Capital, considerada uma das mais novas do país, conta com 1.701 ônibus. Destes, cerca de 400 pertencem à Carris. O custo de compra de um veículo novo fica entre os R$ 500 mil (ônibus simples) e R$ 800 mil (com ar-condicionado). Os articulados podem chegar a R$ 1,2 milhão. Apesar de a vida útil máxima permitida por determinação do município ser de dez anos, a frota da Capital não atinge mais de oito, sendo renovada antes para evitar o aumento de custos com manutenção.


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TAGS » Greve, Geral, Ônibus