Porto Alegre, sábado, 29 de Novembro de 2014

  • 10/02/2014
  • 11:03
  • Atualização: 11:10

Rodoviários revelam cansaço na espera por avanço das negociações

Greve dos ônibus chegou ao 15º dia nesta segunda-feira

Usuários e rodoviários se mostram cansados com a greve | Foto: André Ávila

Usuários e rodoviários se mostram cansados com a greve | Foto: André Ávila

  • Comentários
  • Mauren Xavier / Correio do Povo

A cassação da liminar que impedia os piquetes em frente às garagens de ônibus de Porto Alegre fez com que o 15º dia da greve dos rodoviários começasse com intensa movimentação nas empresas. Assim como nos dias anteriores, os ônibus não circularam. As justificaram eram basicamente duas: porque as saídas das garagens estavam bloqueadas ou por falta de segurança para trabalhar.

Diante da continuidade do movimento, na sexta-feira passada, o Sindicato das Empresas de ônibus de Porto Alegre (Seopa) conquistou uma liminar determinando que a partir de hoje a entrada das garagens deveria estar liberada. Além disso, autorizava, se necessária, a atuação da Brigada Militar na desobstrução. Com a queda da liminar, a frente das empresas Viação Cavalhada Teresópolis (VCT) e na Trevo, ambas do consórcio STS, rodoviários, sindicalistas e apoiadores fizeram concentrações. As saídas em ambas estavam bloqueadas por pessoas sentadas em frente aos portões.

Reconhecendo cansaço, muitos rodoviários mostravam esperança de que as negociações com o sindicato patronal avançassem. Para um dos motoristas, que não quis se identificar, o principal ponto que precisava avançar era o banco de horas. Ao mostrar o canhoto com a sua escala, ele disse ser inaceitável cumprir o horário. A jornada de trabalho começava às 6h57min e terminava às 19h16min, sendo que havia um intervalo das 12h43min às 15h43min. “É por isso que pedimos o fim do banco de horas”, afirmou o motorista.

E se os rodoviários estão cansados, o sentimento da população é um misto de revolta e resiliência. Diante das dificuldades provocadas pela greve, muitas pessoas se esforçam para encontrar alternativas e conseguir manter na medida do possível a sua rotina. Mesmo assim, é impossível evitar os transtornos trazidos pela paralisação.

“Temos hábitos e nas duas últimas semanas tudo virou uma bagunça. Tu sai de casa sem saber se conseguirá chegar ao serviço e depois precisa encontrar uma forma de voltar. É o caos”, desabafou Rosângela Bousk, moradora do bairro Cavalhada, enquanto esperava na parada a van particular que foi contratada pela empresa em que trabalha de serviços de limpeza. “Essa foi a maneira encontrava para garantir que os funcionários cheguem ao trabalho”, comentou Rosângela.

A alternativa de transporte não significa solução dos transtornos provocados pela greve. Isso porque ela precisa acordar bem mais cedo e o retorno é uma incógnita. “Na semana passada teve um dia que saí de casa às 6h e só voltei às 23h, porque a van estragou na metade do caminho”, desabafou.

Ao lado dela, Leandro Perroni demonstrava preocupação com o que pode vir a acontecer se a greve se manter. “Cada dia que passa as pessoas ficam mais estressadas. Acho o povo gaúcho calmo, mas tenho a sensação de que nos tornamos uma bomba relógio prestes a explodir”, disse.

É compreensível essa declaração. Sem ônibus, muitas pessoas se submetem a situações arriscadas e complicadas, como lotações, vans escolares e transportes alternativos completamente lotados. E no meio da agitação, há quem encontre formas de tirar vantagem, como um ônibus autodenominado “geladinho”, que oferece um refresco importante nestes dias de altas temperaturas na capital gaúcha.

Bookmark and Share