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15/02/2014 15:24 - Atualizado em 15/02/2014 15:28

Bergamotas ainda verdes viram matéria-prima de perfumes

Produtores de cítrus do Vale do Caí encontraram um fim nobre para frutas provenientes do raleio

Lavagam das Bergomatas ocorre antes de frutas irem para o extrato de óleo<br /><b>Crédito: </b> André Ávila
Lavagam das Bergomatas ocorre antes de frutas irem para o extrato de óleo
Crédito: André Ávila
Lavagam das Bergomatas ocorre antes de frutas irem para o extrato de óleo
Crédito: André Ávila

Produtores de cítrus do Vale do Caí encontraram um fim nobre para as bergamotas ainda verdes provenientes do raleio. As frutas sacrificadas, que antes não tinham nenhum aproveitamento, agora viram matéria-prima de óleos essenciais de mandarina verde. Aromático, orgânico e concentrado, o produto de alto valor agregado tem como principal destino a indústria de perfumes da França, mas também é negociado para uma empresa nacional, quase centenária, de cosméticos. Também é utilizado para dar sabor a alimentos e na indústria farmacêutica.

A técnica vem sendo fomentada há cinco anos pela Ecocitrus Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí, de Montenegro, que auxilia 68 produtores da região com o raleio dos pomares, manejo no qual o agricultor tira frutas menores do pé para assegurar porte comercial às demais. Segundo o gerente operacional da Ecocitrus, João Jacó Kranz, cada quilo de bergamota de raleio entregue rende ao fruticultor R$ 0,28, um extra bem-vindo em época de pré-colheita. O processo se inicia em fevereiro com a variedade Caí e vai até maio com a Pareci e Montenegrina.

A coleta, feita pela própria cooperativa com caminhões, só cresce. Em 2013, a Ecocitrus processou 700 toneladas de mandarina verde orgânica, sendo que 90% do óleo obtido foi remetido à Europa. Para 2014, a expectativa é processar de 800 a 1.200 toneladas. Para isso, a cooperativa está buscando mais grupos de produtores.

O transporte das frutas é feito com muito cuidado. Para diminuir o impacto no descarregamento e não perder nada da essência, um colchonete amortece a queda de cada fruta. “Quanto menor o manejo, melhor”, explica Kranz. Cada caminhão pode transportar de 4 a 12 toneladas. Assim que chegam à fábrica, as bergamotas verdes vão para a esteira onde são levadas até o silo.

A capacidade de processamento da fábrica é de 3 toneladas por hora. Após a lavagem das bergamotas, elas vão para a extratora, uma espécie de raladora que coleta apenas pequenas partículas da casca. “Vai girando e batendo as frutas”, explica. A água conduz o óleo até as centrífugas, que separam uma substância da outra. As frutas terminam o processo praticamente intactas. Antes de chegar ao cliente, o óleo é armazenado em tambores de 280 quilos que vão para câmara fria. Lá, o produto fica de quatro a seis meses a uma temperatura de 5°C a 8°C. O objetivo desta etapa é separar o óleo da cera, que vai representar de 1% a 3% do total.

Uma tonelada de matéria-prima rende 3,5 a 4 quilos de óleo. Um quilo de óleo essencial de mandarina verde orgânico é vendido a 60 dólares, enquanto o convencional é comercializado a uma média de 34 a 36 dólares. “É uma maneira de produzir orgânicos de forma a agregar valor”, avalia. Originalmente, o óleo é extraído da bergamota ainda verde, mas também pode ser feito com a fruta madura ou, ainda, da laranja. O óleo da madura, produzido em menor volume, é mais valorizado e custa de 85 a 90 dólares o quilo. Já o da laranja vale de 8 a 10 dólares o quilo.

Atenção especial ao raleio

Diferente das demais culturas frutíferas, a bergamoteira exige um cuidadoso manejo por parte do produtor. Cerca de um mês antes da colheita, ele deve executar o raleio, técnica que consiste na retirada das frutas menores em favor das maiores. Segundo o assistente técnico em fruticultura da Emater Derli Paulo Bonine, a ação é imprescindível por dois motivos: para assegurar uma regularidade de produção e, principalmente, para garantir boa cotação de mercado as frutas.

“Do contrário, as plantas entram em alternância, compensando a produção alta de um ano com uma muito aquém ou mesmo nada na temporada seguinte”, explicou. “E, mesmo nos anos de produção elevada, se não fizer o raleio, o produto não será atraente aos olhos do consumidor porque a planta não as consegue nutrir, prejudicando assim todo o pomar”, completou.

Com relação ao momento certo de realizar a ação, Bonine recomenda observar as frutas. Quando as primeiras atingirem 3 centímetros de diâmetro, deve-se arrancar, segundo ele, de 50% a 80% das que não atingiram este patamar.


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Fonte: Bruna Karpinski e Arthur Machado / Correio do Povo





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