Porto Alegre, sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

  • 22/02/2014
  • 12:43
  • Atualização: 13:19

Parlamento anuncia destituição do presidente da Ucrânia

Legislativo aprovou eleições para o lugar de Viktor Yanukovytch em maio

Manifestantes comemoram na frente da residência de presidente ucraniano | Foto: Genya Salivov / AFP / CP

Manifestantes comemoram na frente da residência de presidente ucraniano | Foto: Genya Salivov / AFP / CP

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  • AFP

Por unanimidade, o Parlamente ucraniano votou neste sábado pela saído do presidente Viktor Yanukovytch do cargo. Além disso, definiu novas eleições para 25 de maio.

A decisão ocorreu logo após Yanukovytch negar os boatos de renúncia e denunciar um golpe de estado em pronunciamento pela TV. Ele deixou Kiev e se deslocou para o leste do país. “Não tenho a intenção de apresentar minha demissão. Sou um presidente eleito legitimamente. Não tenho a intenção de sair do país", disse Yanukovytch, que também afirmou que as decisões do Parlamento são "ilegítimas".

O Parlamento aprovou a libertação da opositora Yulia Timoshenko, líder da Revolução Laranja pró-Ocidente de 2004 e adversária derrotada nas eleições de 2010. Usando sua trança emblemática, ela fez um gesto com a mão para os jornalistas e a seus partidários que aguardavam diante do hospital carcerário onde estava sendo tratada de uma hérnia de disco em Kharkiv. Ela vai embarcar em um avião e viajar para Kiev, onde deve marcar presença na Praça da Independência, indicou seu aliado Arseni Yatseniuk.  Pouco antes, o braço direito de Timoshenko, Olexander Turchinov, foi eleito presidente do Casa e substitui uma pessoa ligada a Yanukovytch, Volodymyr Rybak, que renunciou durante a manhã.

O Congresso também designou outro aliado de Timoshenko, Arsen Avakov, como ministro do Interior interino. Também neste sábado, a polícia ucraniana declarou estar "ao lado do povo" e compartilhar suas aspirações de "mudanças rápidas", em um comunicado publicado em nome de todos os agentes do ministério do Interior.
Mais cedo, jornalistas do Kanal 5 informaram que entraram sem dificuldades na residência de Yanukovytch, habitualmente muito vigiada, na periferia de Kiev. Manifestantes estavam a apenas 50 metros da entrada da presidência no centro da capital, outro local habitualmente submetido a uma rígida vigilância. 

Tudo acontece um dia depois da assinatura de um acordo entre o governo e a oposição para tentar acabar com a crise no país, que deixou dezenas de mortos nos últimos dias. O texto prevê importantes concessões de Yanukovytch, sob crescente pressão da comunidade internacional: eleições presidenciais antecipadas, a formação de um governo de unidade nacional e o retorno à Constituição de 2004, que dá mais poderes ao Parlamento e ao governo.

Um dia depois do acordo, quase 40 deputados do governista Partido das Regiões anunciaram a saída da formação. Todos os acontecimentos das últimas horas deixam a sensação de um vácuo de poder na capital da ex-república soviética, que enfrenta a crise mais grave desde a independência de Moscou em 1991, após a queda da URSS. "Exigimos eleições presidenciais antecipadas antes de 25 de maio", pediu Klitschko. Em Maidan (Praça da Independência de Kiev), praticamente uma zona de guerra, milhares de pessoas permaneciam reunidas neste sábado, perto de barricadas. E não havia sinal de desocupação da área pelos opositores.

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