Porto Alegre, domingo, 23 de Novembro de 2014

  • 23/02/2014
  • 17:52
  • Atualização: 18:05

Ucranianos homenageiam mortos em Kiev

Praça da Independência continua cheia

Mulher chora após acender vela pelas vítimas  | Foto: Timoty Clary / AFP / CP

Mulher chora após acender vela pelas vítimas | Foto: Timoty Clary / AFP / CP

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  • AFP

Com um semblante sério, uma menina deposita um buquê de rosas sobre uma barricada no centro de Kiev, antes de voltar para os braços de sua mãe: "Viemos aqui em família, para ensinar a nossos filhos o valor da liberdade", explica Valentina.

A Praça da Independência (Maidan), em Kiev, continua cheia, mas não havia apenas os habituais manifestantes hostis ao presidente deposto Viktor Yanukovytch. Pessoas de todas as idades foram ao local que foi o centro dos protestos para homenagear os mortos com velas e flores.

"Proibido esquecer", indica um cartaz. Pelo menos 82 pessoas morreram entre terça e quinta-feira em Kiev, quando a Polícia abriu fogo contra os manifestantes. No sábado, o Parlamento destituiu o presidente Yanukovytch e a oposição se apoderou das principais instituições do país. O paradeiro do presidente destituído é desconhecido.

"Edifícios em chamas, sangue derramado... Não queremos voltar a ser testemunhas de algo semelhante em nossa vida. Vamos lutar por isso", acrescenta Valentina. Atrás dela está a Casa dos Sindicatos, ex-sede geral dos manifestantes, com sua fachada queimada.

Milhares de opositores ocupam a Praça Maidan há três meses, com barracas ao redor de um palco e com barricadas para proteger os acessos. "Pelo fim da corrupção - Uma multidão também caminha ao longo da rua Institutska, onde na quinta-feira de manhã morreu a maior parte dos manifestantes.

Diante de uma árvore com os galhos enfeitados com fitas brancas, um pai e seu filho tiram uma foto de um poste metálico, perfurado por tiros. "Viemos prestar homenagem ao batalhão do céu, a esses combatentes que se foram. Essas mortes devem ter um sentido, provocar uma verdadeira mudança. Não queremos apenas novos dirigentes no Parlamento e no governo, queremos acabar com a corrupção e com o regime policial", explica Filip Samoilenko, de 18 anos. As manifestações na Ucrânia, que começaram em resposta à súbita decisão do presidente de suspender as negociações de associação com a União Europeia, transformaram-se em pouco tempo em um protesto generalizado contra o governo, considerado violento e corrupto.

Quando a confusão começou na quinta, o jovem preferiu ajudar seu pai a arrancar o calçamento da praça para servir de munição aos manifestantes, que protegiam as barricadas dos policiais. "Vi um jovem, sem a mão e com o rosto tão ferido por tiros que dava para ver os seus ossos. Nunca vou esquecer essa imagem", conta seu pai Andrei.
No meio da rua, velas de todas as cores formam a inscrição: "Honra aos heróis". Quase como um eco, homens gritam com frequência o lema mais popular entre os manifestantes: "Glória à Ucrânia, glória aos heróis".


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