Porto Alegre, quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

  • 24/02/2014
  • 07:51
  • Atualização: 08:10

Imposto de Renda castiga educação brasileira

Pesquisa mostra que País perde em deduções até para vizinhos como Paraguai e Venezuela

Em outros países, compra de livros tem incentivo | Foto: André Avila / CP Memória

Em outros países, compra de livros tem incentivo | Foto: André Avila / CP Memória

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  • Correio do Povo

Num país que está na lanterna dos rankings internacionais de educação, o Fisco dá as costas aos brasileiros que querem investir mais na qualidade do ensino. Os gastos para manter um filho em um colégio particular somente podem ser descontados em até R$ 3.230,46 no Imposto de Renda (IR) 2014, ano-base 2013. Em outros países, os incentivos são bem maiores: o valor para dedução é o dobro nos Estados Unidos (4 mil dólares) e integral em vizinhos latino-americanos como Peru, Paraguai e Venezuela, segundo levantamento da consultoria EY (a antiga Ernst & Young) feito em 20 países.

O desconto chega a ser de 342% maior na Alemanha (7.679,98 dólares), já considerando no cálculo a paridade de poder de compra (custo de vida) medido pela Ocde, segundo as contas da EY. Seguindo a mesma regra, o valor da dedução no Brasil equivale a 1.735,94 dólares. No Reino Unido, a dedução autorizada pelo Fisco é integral.

Segundo o gerente sênior de Capital Humano da EY, Leandro Souza, alguns dos países mais bem colocados no Pisa - a mais importante pesquisa internacional sobre educação - oferecem incentivos maiores ao ensino pela dedução de despesas por dependente ou do próprio contribuinte. É o caso da Alemanha, 16 lugar em Matemática, que permite deduzir inclusive gastos com livros. O Brasil está aquém da média no ranking: em Matemática, ocupa a 58 posição entre 65 países da pesquisa. Na área de Leitura, está em 55, e em Ciências, na 59 posição.

Mesmo países emergentes estão na frente do Brasil. No México, os gastos por dependentes podem ser reduzidos em até 24,5 mil pesos mexicanos (3.127,07 dólares considerando a paridade de poder de compra), 80% mais do que no Brasil. E as despesas com transporte escolar também podem ser deduzidas. Na Índia, são 100 mil rúpias (4.783,55 dólares), 176% mais que no Brasil. Dos emergentes, somente na estatizada China, 1 colocada no Pisa, não é possível qualquer dedução de despesas com educação.

Especialistas defendem o aumento do limite da dedução - que foi criado em 1964 e que representava 20% da renda bruta - ou mesmo a sua retirada, como ocorreu com as despesas com saúde. Afinal, calculam eles, dois meses de mensalidade em alguns colégios particulares brasileiros cobrem a dedução do IR para um ano com educação.


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