Porto Alegre, quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

  • 01/03/2014
  • 18:47
  • Atualização: 19:15

Desvinculação da BM vai gerar mudança profunda no Corpo de Bombeiros

Dois projetos irão tramitar na Assembleia Legislativa propondo a separação das corporações

Serviço de salva-vidas é um dos serviços a serem assumidos pelos bombeiros | Foto: Mauro Schaefer

Serviço de salva-vidas é um dos serviços a serem assumidos pelos bombeiros | Foto: Mauro Schaefer

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  • Karina Reif / Correio do Povo

Após mais de 30 anos de reivindicação, os bombeiros vislumbram a tão almejada separação da Brigada Militar (BM). E em dose dupla. Dois projetos irão tramitar na Assembleia Legislativa propondo a separação das duas corporações. A primeira é a PEC, que está na Comissão de Constituição de Justiça da Casa. A outra será enviada pelo governo depois do Carnaval. Em ambas uma semelhança: a mudança no Corpo de Bombeiros será profunda.

Seja qual for o projeto que permaneça, o certo é que emancipada, a corporação terá de assumir alguns serviços, antes sob responsabilidade da BM. Um deles é o de salva-vidas. Atualmente, grande parte desses profissionais pertence ao policiamento ostensivo e, não raro, se desloca para o Litoral, muitas vezes, vindo de cidades do Interior. O anúncio do governo fez com que muitos policiais militares, que atualmente participam da Operação Golfinho, temam não poder retornar nas próximas temporadas.

Com a desvinculação, o trabalho na temporada de verão passa a ser feito pelo Corpo de Bombeiros. Sabe-se que a corporação não teria efetivo suficiente para suprir a demanda. Por um período determinado, considera o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, os policiais militares poderiam assessorar nessa atividade até que os Bombeiros tivessem o seu quadro. Também ainda não foi definido se aquele soldado, que fez concurso para a Brigada e foi lotado nos Bombeiros, poderá optar em ficar na corporação ou migrar para a instituição para qual fez o concurso.

Além disso, salienta Michels, os Bombeiros terão de arcar com despesas, como energia elétrica, combustível, manutenção mecânica, entre outras. Hoje isso é feito pela BM. Daí a necessidade de verificar como ficará a questão do orçamento para esta nova corporação. “Não queremos formar bombeiros por decreto”, afirma. “Mas o custo de uma mudança como essa é caro”, analisa o secretário.

O coordenador-geral da Associação dos Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Abergs), Ubirajara Ramos, lembra que existe um projeto semelhante tramitando na Assembleia. Mas a iniciativa do governo é considerada positiva. “É preciso um debate mais amplo, incluindo a associação e os integrantes da corporação”, considera Ramos.

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