Porto Alegre, domingo, 26 de Outubro de 2014

  • 01/03/2014
  • 20:57
  • Atualização: 21:02

Empresários buscam aproveitar período da Copa do Mundo

Micro e pequenos negócios investem em qualificação visando ao Mundial

Setor de gastronomia típica gaúcha está se preparando para a chegada dos torcedores | Foto: Abelardo Marques / CP Memória

Setor de gastronomia típica gaúcha está se preparando para a chegada dos torcedores | Foto: Abelardo Marques / CP Memória

  • Comentários
  • Danton Júnior / Correio do Povo

De olho nas oportunidades abertas com a realização da Copa do Mundo, micro e pequenos empresários estão investindo em novos negócios e na qualificação profissional para atender os turistas que virão a Porto Alegre. Seja na tradução de cardápios, treinamento de funcionários ou mesmo na criação de novos produtos, o evento movimenta uma cadeia que vai bem além do esporte.

Para receber torcedores de seleções que irão jogar no Beira Rio, pequenos empreendedores preparam novidades, como a adaptação do cardápio à culinária europeia e a criação de artesanato cujo tema é o mundial de futebol. Empresas do setor de gastronomia, serviços e comércio investem para não perder a oportunidade de fazer bons negócios. “Não podemos esquecer que a Copa do Mundo é a maior vitrine que um país pode ter com relação à mídia, muito maior do que o número de pessoas circulando”, afirmou a gestora do projeto Sebrae 2014, Amanda Paim.

Ela explica que, embora a cidade tenha cinco jogos, com a possível participação de dez seleções, Porto Alegre deve receber um fluxo de turistas jamais visto. “Uma pessoa que viaja e é bem atendida pode trazer outras cinco. Ao contrário, se for mal atendida, dez turistas deixam de vir. Essa é uma preocupação de futuro que o empresário tem que ter”, advertiu.

Para auxiliar os microempresários, o Sebrae prepara uma cartilha com informações sobre os turistas dos oito países que jogarão em Porto Alegre durante a primeira fase da Copa: Argentina, Holanda, França, Honduras, Argélia, Coreia do Sul, Nigéria e Austrália.

O material, que será distribuído este mês, durante seminário organizado pela entidade, também orienta os empreendedores sobre como investir em melhorias. “Existem recursos disponíveis e instituições com projetos. Existe interesse de que a Copa do Mundo dê certo e que as capitais apresentem bem os seus serviços”, explicou Amanda.

Entre os temas que serão abordados no seminário estão informações sobre moedas e cartões de crédito utilizados pelos turistas que virão a Porto Alegre. Segundo Amanda, o jogo entre Brasil e França, realizado em junho do ano passado, na Capital, mostrou que há muito a ser feito com relação ao idioma. “Não vamos conseguir fazer com que todos falem (o idioma estrangeiro), mas podemos nos organizar para isso. Por exemplo, com um cardápio traduzido, um endereço eletrônico em outra língua ou um aplicativo sobre o serviço que a empresa presta”, disse a gestora do projeto.

Confeitaria de olho no Mundial

Após a confirmação de que a França jogará em Porto Alegre, a empresária Priscila Santana viu a necessidade de acrescentar um idioma ao cardápio da confeitaria Clarita Delícias e Pães do Mundo. Hoje, além do português, as opções estão escritas em inglês e espanhol. Também deverá ser acrescentado aos produtos oferecidos itens relacionados à culinária dos países que jogarão na Capital. “Pensamos em colocar alguma coisa com doce de leite argentino, mas temos de fazer uma pesquisa maior”, disse Priscila, de olho na presença dos argentinos, cuja seleção joga no Beira-Rio contra a Nigéria no dia 25 de junho.

Localizada na rua João Telles, bairro Bom Fim, a empresa aposta na proximidade com o Parque Farroupilha, ponto turístico da Capital, para atrair visitantes de outros países. “A expectativa é de que isso se confirme em aumento de público”, afirmou Priscila.

Para capacitar trabalhadores, no entanto, os microempresários reclamam da alta rotatividade, em especial no ramo da alimentação. “Avaliamos que não é um investimento muito efetivo. Você prepara o funcionário e, por causa de R$ 100, ele troca de empresa”, disse o proprietário da Empada no Prato, Eduardo Campos.

Segundo ele, a empresa irá contar com cardápio traduzido para o inglês, tendo em vista a Copa do Mundo. Apesar disso, Campos não acredita em um movimento muito acima do normal. “Por um lado, vai ter o movimento do pessoal de fora. Por outro, haverá o desaquecimento do público interno, que vai ficar em casa.”

Bookmark and Share