Porto Alegre, segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

  • 05/03/2014
  • 11:55
  • Atualização: 12:23

Papa defende os esforços da Igreja contra a pedofilia

Francisco também demonstrou abertura pragmática em relação ao divórcio e contracepção

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  • AFP

O Papa Francisco respondeu nesta quarta-feira a um relatório muito crítico da ONU, defendendo os esforços da Igreja na luta contra a pedofilia. O pontífice também demonstrou abertura pragmática em relação a vários assuntos, como o divórcio e a contracepção, em entrevista ao jornal Corriere della Sera.

Segundo Francisco, que completa um ano como papa em 13 de março, a "Igreja Católica é talvez a única instituição pública que se movimenta com transparência e responsabilidade na luta contra a pedofilia". Ele acrescentou que "Bento XVI foi muito corajoso e abriu um caminho. A Igreja, neste caminho, tem feito muito. Talvez mais que qualquer outro. No entanto, a Igreja é a a única atacada".

Milhares de crianças foram abusadas sexualmente por padres em muitos países, particularmente na Irlanda e nos Estados Unidos entre os anos 1960 e 1990. Questionado pelo Corriere sobre o balanço de seu primeiro ano de pontificado, o papa argentino afirmou que "as estatísticas sobre o fenômeno da violência contra as crianças são impressionantes, mas também mostram com clareza que a grande maioria dos abusos ocorrem em um ambiente familiar e de vizinhança".

O Comitê de Direitos das Crianças das Nações Unidas divulgou no mês passado um relatório muito crítico sobre a atitude do Vaticano na luta contra os abusos sexuais de menores de idade. O documento reprova a não obrigatoriedade das denúncias à justiça nas dioceses e o fato da igreja ter mantido em sigilo as investigações eclesiásticas.

Segundo especialistas independentes do comitê, as práticas da Santa Sé contribuíram para "a continuidade dos abusos de menores e a impunidade dos culpados". O Vaticano imediatamente denunciou os "graves limites" de um relatório influenciado por "ONGs reconhecidamente hostis à Igreja católica". Ele acusou a ONU de "deformar" os fatos em um documento "preparado antecipadamente".

Vários especialistas revelaram que o relatório em questão não levou em conta os esforços da Igreja neste combate, principalmente nos últimos anos. Ex-vítimas também argumentam que o Vaticano não foi severo o suficiente, como por exemplo, com a congregação dos Legionários de Cristo, que não foi forçada a dissolver-se, apesar dos crimes de pedofilia de seu fundador, o mexicano Marcial Maciel.

Francisco anunciou em dezembro a criação de uma comissão de especialistas para a proteção das crianças em todas as instituições da Igreja. O anúncio foi recebido com ceticismo por associações de vítimas, e a composição da comissão ainda não foi anunciada.

Pragmatismo

Ainda ao Corriere, o Papa falou sobre vários temas polêmicos relativos à família, incluindo o acesso dos divorciados à comunhão. Ele desejou as pessoas se comprometam com "uma reflexão profunda sobre a grave crise" que atravessa a família, sem querer "resolver cada problema pela casuística" (com base em exemplos específicos). "É à luz de uma reflexão profunda que situações específicas podem ser tratadas com seriedade, incluindo as do divórcio", considerou.

O Papa também mencionou a encíclica "Humanae Vitae" do Papa Paulo VI, em 1968, condenando a contracepção. Francisco defendeu o italiano que "teve a coragem de se opor ao neo-malthusianismo", mas ressaltou que o Paulo VI "recomendou a misericórdia e a atenção à situações concretas".

"A questão não é mudar a doutrina, mas para ir fundo e garantir que a pastoral leve em conta o que é possível fazer para as pessoas", argumenta Francisco. Sobre o casamento, ele reafirmou que "é entre um homem e uma mulher", mas se mostrou cauteloso sobre as uniões civis. Estas são "justificadas pelos Estados laicos para regularizar aspectos econômicos": "É preciso analisar os diferentes casos e avaliar a sua variedade".

O Papa se posicionou firmemente contra a eutanásia, defendeu os "cuidados paliativos" e criticou a obstinação terapêutica. "A doutrina tradicional da Igreja afirma que ninguém é obrigado a usar meios extraordinários, quando sabemos que sua vida está em estado terminal".

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