Porto Alegre, sábado, 1 de Novembro de 2014

  • 05/03/2014
  • 23:08
  • Atualização: 23:45

Rússia e Ocidente fecham acordo para discutir crise na Ucrânia

Forças russas assumiram controle parcial de duas bases de lançamentos de mísseis na Crimeia

Encontro entre os chefes da diplomacia de Moscou, Paris, Washington, Berlim, Londres e UE em Paris | Foto: Kevin Lamarque/ AFP / CP

Encontro entre os chefes da diplomacia de Moscou, Paris, Washington, Berlim, Londres e UE em Paris | Foto: Kevin Lamarque/ AFP / CP

  • Comentários
  • AFP

A Rússia e as potências ocidentais chegaram a um acordo para prosseguir, nos próximos dias, com as discussões sobre a Ucrânia, ao final de um encontro entre os chefes da diplomacia de Moscou, Paris, Washington, Berlim, Londres e UE na capital francesa. “Chegamos a um acordo para prosseguir com as discussões nos próximos dias a fim de ajudar a estabilizar, normalizar a situação e superar a crise”, afirmou o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, depois do encontro.

Lavrov se reuniu no gabinete do chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, com o secretário de Estado americano John Kerry, e os ministros das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, e britânico William Hague, além da chefe da chanceler europeia Catherine Ashton. Kerry confirmou que ficaram acertadas para os próximos dias “intensas discussões” sobre a crise ucraniana. “Iniciamos um processo hoje e esperamos que leve a uma desescalada da crise.”

O secretário de Estado norte-americano tentou, sem sucesso, reunir em Paris o ministro Lavrov e seu homólogo ucraniano, Andrii Dechtchitsa, em mais um esforço para acalmar a situação, qualificada de uma das piores crises europeias desde a Guerra Fria. Lavrov se negou a encontrar Dechtchitsa, apesar da pressão dos países ocidentais, conforme relatou à agência de notícias AFP o embaixador ucraniano em Paris. Moscou não reconhece as novas autoridades ucranianas.

Dechtchitsa, ministro interino das Relações Exteriores, chegou a Paris na noite de terça-feira a bordo do avião de Kerry, procedente de Kiev. O presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, estimaram que a situação na Ucrânia é “inaceitável” e afirmaram que a Rússia já arca com consequências por sua intervenção. “A Rússia já começou a pagar o preço por seus atos, como a redução da confiança dos investidores”, ressaltou a Casa Branca após uma conversa entre Obama e Cameron.

Nesta quarta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, e a chefe de governo alemã, Angela Merkel, discutiram uma “possível cooperação” internacional para “normalizar” a situação na Ucrânia, informou o Kremlin. Putin e Merkel analisaram as “possibilidades de cooperação internacional visando a normalização política da situação na Ucrânia”, destacou o Kremlin.

Paralelamente, a Otan decidiu nesta quarta reforçar a cooperação com a Ucrânia e analisar a redução da relação com a Rússia, indicou seu secretário-geral, Anders Fogh Rasmussen. “Estas medidas enviam uma clara mensagem à Rússia”, que deve ajudar na desescalada do conflito na Ucrânia, afirmou Rasmussen ao término de uma reunião Otan-Rússia em Bruxelas.

Plano de ajuda

A Comissão Europeia apresentou nesta quarta um plano de ajuda de pelo menos 11 bilhões de euros para a Ucrânia, mergulhada na crise econômica. “A Comissão Europeia identificou um programa de ajuda para a Ucrânia. Esta é nossa contribuição à reunião de cúpula de chefes de Estado e de Governo de quinta-feira. No total, o pacote pode chegar a pelo menos 11 bilhões de euros nos próximos dois anos, que sairiam do orçamento da União Europeia e das instituições financeiras europeias”, declarou o presidente do Executivo comunitário, José Manuel Durão Barroso.

O programa, que inclui medidas de curto e médio prazo nas áreas comercial, econômica, técnica e financeira, poderá ser completado pelos Estados membros da UE, destacou Barroso. A Comissão prevê 1,6 bilhão em empréstimos, 1,4 bilhão em doações, e três bilhões do Banco Europeu de Investimentos (BEI).

Também espera que o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD) possa destinar cinco bilhões e libere 250 milhões do fundo para a política de vizinhança com o objetivo de levantar 3,5 bilhões de empréstimos. Para coordenar os esforços de apoio da comunidade internacional, a Comissão propôs a criação de um "mecanismo especial de coordenação de doações" que a UE está disposta a gerenciar.

Bases de mísseis

Na frente militar, as forças russas assumiram o controle parcial de duas bases de lançamento de mísseis na Crimeia nesta quarta-feira. Na primeira, situada em Evpatoria (Oeste), o posto de comando e o centro de controle da base permanecem sob domínio ucraniano, disse um porta-voz do ministério da Defesa na Crimeia.

A instalação, de onde os mísseis já haviam sido retirados, foi invadida na terça-feira por 20 soldados russos, auxiliados por centenas de manifestantes pró-Moscou, afirmou a fonte ucraniana à AFP. Na outra base, situada no cabo de Fiolent (Sul), próxima ao porto de Sebastopol que abriga a frota do Mar Negro, as forças russas bloqueiam o prédio que abriga os mísseis, revelou à AFP um oficial ucraniano, Volodymir Bova: “Há mísseis, mas estão desarmados”, completou Bova.

Bookmark and Share