Porto Alegre, quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

  • 06/03/2014
  • 20:58
  • Atualização: 21:33

Venezuela tem mais dois mortos em protestos

ONU critica repressão policial empregada em manifestações no país

Venezuela tem mais dois mortos em protestos  | Foto: AFP / CP

Venezuela tem mais dois mortos em protestos | Foto: AFP / CP

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  • AFP

Um integrante da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e um moto-taxista morreram nesta quinta-feira em um confronto durante um protesto opositor no leste de Caracas, elevando a 20 o número de mortos nas manifestações na Venezuela, enquanto autoridades da ONU lamentavam a repressão policial.

De acordo com as autoridades, o incidente aconteceu quando um grupo de motociclistas tentava desmontar uma barricada que obstruía as ruas há dias. Testemunhas disseram que os disparos surgiram do grupo de manifestantes opositores. No entanto, o presidente da Assembleia Nacional e número dois do chavismo, Diosdado Cabello, atribuiu as mortes a "franco-atiradores" escondidos em um edifício.

"Estávamos recolhendo o lixo das barricadas e pessoas começaram a arremessar pedras e garrafas de um edifício, e de repente começaram os tiros", explicou um dos membros do grupo de motociclistas, que se identificou como Ricardo. Logo depois do incidente, um jornalista da AFP observou que os motoqueiros tentaram invadir outros edifícios para responder aos ataques.

Na ONU, cinco dirigentes da organização exigiram nesta quinta do governo da Venezuela que os casos de agressão contras manifestantes e jornalistas sejam investigados, e pediram a libertação de qualquer pessoa que permaneça "detida arbitrariamente".  "Os recentes episódios de violência ocorridos nos protestos na Venezuela devem ser investigados urgentemente, e os responsáveis devem responder por seus atos na justiça", afirmaram em um comunicado conjunto.

O texto também alerta para as denúncias de violência contra jornalistas e o fechamento de meios de comunicação.
"Garantir a plena proteção dos jornalistas e demais trabalhadores dos meios de comunicação que cobrem este difícil período que o país está vivendo é fundamental."

"As informações recebidas sobre a detenção arbitrária de vários jornalistas e sobre a suspensão das atividades do canal de televisão NTN 24 quando cobriam os protestos são muito preocupantes. O país necessita de mais informações sobre os atuais protestos, e não menos", acrescentou.

Assinam o documento os relatores da ONU para diversos setores, como liberdade de opinião e expressão, Frank La Rue; direito de liberdade de reunião e associação pacífica, Maina Kiai; tortura, Juan Méndez; situação dos defensores de Direitos Humanos, Margaret Sekaggya; e o presidente e relator do grupo de trabalho sobre detenções arbitrárias, Mads Andenas. Eles também expressaram sua "consternação pela morte de ao menos 18 pessoas nas manifestações".

A missão permanente da Venezuela junto às Nações Unidas em Genebra reagiu ao documento reafirmando o "absoluto compromisso do governo do presidente Nicolás Maduro com a plena vigência dos direitos humanos no país". Os diplomatas venezuelanos "lamentaram" que os especialistas da ONU "façam eco da intensa campanha de desinformação internacional desatada por poderosos interesses nacionais e estrangeiros, que sempre têm procurado desestabilizar o legítimo governo bolivariano e que, no passado, patrocinaram um golpe de Estado".

"Nenhum manifestante foi detido arbitrariamente", afirma a missão da Venezuela em Genebra. "Em sua grande maioria, os detidos já foram libertados." A missão garante que são completamente falsas as informações sobre pessoas torturadas, incomunicáveis ou sem assistência jurídica.

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