Porto Alegre, quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

  • 09/03/2014
  • 09:05
  • Atualização: 10:27

Manifestantes pró-Rússia entram em confronto com ucranianos

Homens armados com pedaços de madeira atacaram policiais na cidade de Sebastopol, na Crimeia

Milhares de pessoas participaram de um protesto em Kiev pela soberania do país | Foto: Volodymyr Shuvayev / AFP / CP

Milhares de pessoas participaram de um protesto em Kiev pela soberania do país | Foto: Volodymyr Shuvayev / AFP / CP

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  • AFP

Manifestantes partidários da Rússia entraram em confronto com pró-ucranianos neste domingo em Sebastopol, uma cidade da península da Crimeia, enquanto milhares de pessoas participaram de um protesto em Kiev pela soberania do país.

Em Sebastopol, cerca de 100 homens armados com pedaços de madeira atacaram agentes que faziam a segurança de manifestantes ucranianos que comemoravam o 200º aniversário do poeta Taras Shevchenko.

Eles destruíram um veículo e bloquearam os serviços de ordem, acusados de pertencer ao Pravy Sector, um movimento nacionalista paramilitar na linha de frente da contestação em Kiev.

Duzentas pessoas com bandeiras ucranianas participaram deste protesto em frente ao monumento de Shevchenko, no centro de Sebastopol, na península separatista da Crimeia, ocupada desde o final de fevereiro por forças pró-russas.

Já em Kiev, o primeiro-ministro interino Arseni Yatseniuk afirmou que a Ucrânia não cederá "nenhum centímetro de seu território" para a Rússia.

"É nossa terra. Não cederemos nenhum centímetro. Que a Rússia e o seu presidente saibam disso", declarou durante uma manifestação em homenagem ao poeta Shevchenko, símbolo da independência da Ucrânia.

Ele considerou que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, que defendeu a integridade territorial da Ucrânia quando esta ex-república soviética renunciou em 1994 ao seu arsenal nuclear, fariam o possível "para preservar a independência da Ucrânia".

Além disso, Yatseniuk anunciou que viajará esta semana aos Estados Unidos para discutir uma saída para a crise na Crimeia. "Quarta-feira, será meu adjunto que presidirá o conselho de ministros porque eu irei aos Estados Unidos para discutir a situação na Ucrânia".

O presidente interino Olexandre Turtchinov ressaltou, por sua vez, que a famosa frase de Taras Shevchenko "Lutem e triunfarão" se tornou o slogan das novas autoridades ucranianas.

Milhares de pessoas se reuniram em frente à estátua de Shevchenko, escritor que denunciou no século XIX a opressão do Império russo contra o povo ucraniano.

A manifestação na capital continuará com um show em Maidan, a praça da Independência e palco dos protestos que levaram à destituição do presidente Viktor Yanukovytch, em 22 de fevereiro.

Ao mesmo tempo, partidários de uma anexação à Rússia manifestaram em Donetsk, no leste industrial e de língua russa da Ucrânia.

Essas manifestações ocorrem no dia seguinte a uma tentativa frustrada de 54 observadores internacionais da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) de entrar na Crimeia.

Erro de cálculo
Na frente diplomática, apesar das intensas consultas ao longo da semana passada, ocidentais e russos não
conseguiram chegar a uma saída para a prior crise em suas relações desde o fim da União Soviética, em 1991.

Para o chefe da diplomacia britânica, Willian Hague, a intervenção militar russa na Crimeia "é um erro de cálculo" de Moscou.

Em uma entrevista neste domingo à BBC, Hague advertiu a Rússia para possíveis "consequências econômicas consideráveis", caso não haja uma saída diplomática para a crise.

"É falso concluir que a Rússia venceu. Acredito que com o tempo, veremos que tudo isso não passa de um erro de cálculo" da parte de Moscou, declarou, considerando que "as consequências a longo prazo serão muito sérias".

Neste sentido, o presidente de Estados Unidos, Barack Obama, o premiê britânico, David Cameron, o italiano Matteo Renzi e o presidente francês François Hollande também reiteraram "a grande preocupação com a clara violação do direito internacional pela Rússia", segundo a Casa Branca.

"Por falta de progressos", França e Estados Unidos analisam sanções "que afetariam consideravelmente as relações entre a comunidade internacional e a Rússia, algo que não convém a ninguém", indicou a presidência francesa.

No sábado, a Rússia anunciou que analisa a possibilidade de suspender as inspeções estrangeiras de seu arsenal de armas estratégicas, incluindo mísseis nucleares, em respostas às ameaças dos Estados Unidos e da Otan.

Reforços russos na Ucrânia
Sinal de que as forças russas estão longe de se retirar da Crimeia, sessenta caminhões militares russos entraram na Ucrânia por terra e mar, de acordo com os guardas de fronteira da Ucrânia.

O general Mykola Kovil informou recentemente que 30.000 soldados russos estavam na Crimeia, o que significa 5.000 a mais do que o permitido pelos acordos de contingente entre Moscou e Kiev.

Os guardas de fronteira relataram um ataque sábado à noite pela forças pró-russas contra uma base militar usada para monitorar o tráfego marítimo, onde equipamentos foram danificados.

Com a deterioração do clima na Crimeia, os jornalistas ucranianos e estrangeiros, acusados de servirem aos interesses das grandes potências, têm sido alvos de militantes pró-russos e muitos deles foram atacados nos últimos dias.

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