Porto Alegre, sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

  • 10/03/2014
  • 17:17
  • Atualização: 19:51

Beltrame cogita chamar Exército para reocupar Complexo do Alemão

Secretário de Segurança do RJ está atento ao recrudescimento da violência na zona Norte

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Diante do recrudescimento da violência do tráfico nos complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte do Rio de Janeiro, o secretário de Segurança do estado, José Mariano Beltrame, disse que não descarta a possibilidade de pedir ajuda ao Exército para reocupar o território. A Força de Pacificação do Exército permaneceu nos dois conjuntos de favelas até meados de 2012, quando foram inauguradas oito Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na região.

Considerado o quartel-general do Comando Vermelho, os complexos do Alemão e da Penha foram invadidos pelas forças de segurança em novembro de 2010, após uma onda de ataques a ônibus e postos policiais que levou pânico à cidade. Nesta segunda-feira, uma operação da Polícia Civil prendeu oito suspeitos de participação nos ataques à UPP Nova Brasília e à 45ª Delegacia de Polícia (em janeiro) e ao policial Rodrigo Paes Leme, de 33 anos, que foi morto na semana passada.

Enquanto as Forças Armadas atuaram no local, eram raros os episódios de violência e tiroteios com traficantes. No entanto, dois incidentes envolvendo militares que participavam da Força de Pacificação causaram desconforto nas autoridades: o sumiço de um fuzil do Exército, e o furto de uma chopeira e dos aparelhos de ar-condicionado das casas de dois moradores da favela.

No primeiro caso, o inquérito policial militar (IPM) aberto pelo Exército para apurar o caso foi arquivado pela Justiça Militar em junho do ano passado, atendendo parecer do Ministério Público Militar (MPM). E no segundo episódio, conforme o Estado noticiou em julho de 2012, o primeiro-tenente Luiz Octávio de Goes Freitas foi o único acusado do crime.

Ao Estado, o advogado do oficial disse que os objetos foram achados, e não furtados. O processo tramita na 4ª Auditoria da Justiça Militar no Rio. O militar responde em liberdade. A próxima audiência está marcada para 13 de maio, quando será ouvida uma testemunha da acusação.

Operação no Alemão

O objetivo da incursão desta segunda-feira era cumprir 14 mandados de prisão temporária contra suspeitos dos atentados à UPP Nova Brasília e à 45ª DP (ocorridos entre a noite de 28 de janeiro e a madrugada seguinte) e do ataque que resultou na morte do soldado Paes Leme (na última quinta-feira, 6). Desde o início do programa de pacificação, em dezembro de 2008, dez PMs foram mortos em serviço em favelas com UPPs. A incursão, que contou com 250 policiais civis, foi desencadeada para prender investigados em dois inquéritos.

O primeiro é conduzido pela 45ª DP, que apura os ataques à própria delegacia e à UPP. Nesta investigação, foram nove ordens de prisão. Todos os detidos na operação desta segunda-feira são investigados neste inquérito. Eles são acusados dos crimes de tráfico e associação para o tráfico.

Os outros cinco mandados de prisão são oriundos do inquérito da Divisão de Homicídios (DH) que apura a morte do soldado da UPP Nova Brasília Rodrigo Paes Leme, da UPP Nova Brasília.

Entre os presos, está o segurança de uma estação do teleférico do Complexo do Alemão. Morador da comunidade, Marcondes Gomes de Oliveira era funcionário de uma empresa terceirizada que presta serviço à SuperVia, concessionária que opera o teleférico. Ele seria "olheiro" do tráfico, isto é, repassava aos criminosos informações sobre a movimentação da polícia na favela. Com ele, foi encontrado um celular com várias mensagens de traficantes fazendo perguntas sobre a operação desta segunda-feira no local.

Também foram presos Paulo Philipp Alves da Silva, o Filipinho, "gerente" da venda de drogas na localidade conhecida como Praça do Terço; Kleyton da Rocha Afonso, "gerente" da localidade Chuveirinho; Halan Marcilio Gonçalves, Cesar Silva Lima, o Cesinha; e Vinicius Cruz Macedo. Além dos adultos, dois menores foram apreendidos, sendo um deles em flagrante, após ter sido reconhecido.

Entre os foragidos, está Eduardo Fernandes de Oliveira, conhecido como 2D, que seria o atual chefe das bocas de fumo no Alemão. "A operação desta segunda-feira é desdobramento da realizada no dia 12 de fevereiro, quando prendemos 16 pessoas nos complexos do Alemão e da Penha suspeitas de envolvimento nos ataques. A investigação vai continuar e em breve serão realizadas novas incursões para prendermos traficantes", afirmou o delegado Felipe Curi, da 45ª DP.

Mortes de PMs

O delegado Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios, declarou que o autor dos disparos que mataram o soldado Rodrigo Paes Leme na Favela Nova Brasília já foi identificado. Igor Cristiano Santos de Freitas, o Salgadinho, de 26 anos, não foi localizado nesta segunda-feira e é considerado foragido.

Barbosa disse ainda que o assassinato da soldado Alda Rafael Castilho, de 26 anos, lotada na UPP Parque Proletário, no Complexo da Penha, também já foi elucidado. O crime ocorreu no dia 2 de fevereiro. "Os três envolvidos neste crime já estão identificados e com a prisão decretada. São dois adultos e um menor. Vamos continuar as operações para prendê-los", prometeu.  


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