Porto Alegre, sábado, 25 de Outubro de 2014

  • 16/03/2014
  • 10:23

Governo federal prepara mapa da infidelidade

Emendas executadas e indicações de deputados do PMDB são listadas

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  • Correio do Povo

O governo está mapeando a execução das emendas parlamentares e os cargos federais de cada deputado do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). A ideia é ter claro o grau de infidelidade dos deputados para decidir como deve proceder caso a caso. Uma lista com a execução de emendas e recursos extras do Ministério do Turismo mostra, por exemplo, que dois dos mais radicais deputados do partido, Danilo Forte (CE) e Lucio Vieira Lima (BA), só foram menos aquinhoados com recursos do Ministério do Turismo do que os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros.

Entre 2011 e 2013, cada um conseguiu cerca de R$ 19 milhões em empenhos - que é quando o governo assegura os recursos para determinada obra e permite que a prefeitura dê início aos trabalhos. Vieira Lima, que faz parte da ala mais oposicionista da legenda e deve apoiar o tucano Aécio Neves à Presidência, reagiu com bom humor. “Se for isso mesmo, eu vou ficar feliz. Quando as emendas foram liberadas, eu achava que era porque o governo achava os projetos bons, não imaginava que fosse para me comprar. Eu só mandei de fato cerca de R$ 8 milhões de emendas, mas estão dizendo que tudo da Bahia é meu. Se for assim, tudo o que vai para São Paulo é do Michel Temer. Só acho uma pena o governador Jaques Wagner não estar me convidando para as inaugurações”, ironizou

O deputado Danilo Forte, além da alta execução de emendas no Turismo, foi responsável pela indicação de Germano Rocha Fonteles na superintendência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Ceará. A lista mostra que ao menos 15 superintendentes estaduais da fundação foram indicados por parlamentares do PMDB.

“No mínimo, um quarto das minhas emendas vai para o Turismo. O que eu lamento nisso é essa chantagem barata nos colocando em uma situação constrangedora. Quando Fonteles entrou na Funasa, ela estava nas páginas policiais, e hoje é ela uma das instituições melhor administradas do Ceará. Como aliados, era natural que até indicássemos mais gente, porque os cargos não podem ficar ociosos. O tamanho do governo é esse aí: não responde aos problemas econômicos do país e fica preocupado com essas coisas miúdas. Essa exposição não vai calar ninguém, vai me fazer falar mais”, afirmou Forte.

Congresso deve analisar 12 vetos

Em meio à crise com a base aliada, o Palácio do Planalto corre o risco de sofrer um novo revés na próxima semana no parlamento. Está marcada para a próxima terça-feira a sessão conjunta do Congresso para a apreciação de 12 vetos presidenciais, entre eles o veto integral ao projeto que estabelece critérios para a criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios.

Após uma semana em que dez ministros foram chamados a dar explicações aos deputados, o veto do projeto sobre os municípios é um dos que mais têm chances de ser derrubado. O veto à criação de municípios entrou na pauta da sessão conjunta de fevereiro, e na época já havia uma disposição dos parlamentares para derrotar a vontade presidencial. Outros vetos que não foram analisados no mês passado também retornarão à pauta, entre eles o parcial ao projeto que disciplina a parceria com as universidades comunitárias e rejeições integrais ao projeto sobre a normatização para implantação de travessia de pedestres próximo às escolas.

Há ainda vetos parciais ao projeto de mini reforma eleitoral e da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Outros seis projetos vetados também passarão pela análise dos parlamentares. Dois dos mais polêmicos são o que dispõe sobre o benefício do pagamento de meia-entrada para estudantes, idosos, pessoas com deficiência e jovens de 15 a 29 anos e o que altera o Plano Plurianual da União.

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