Porto Alegre, quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

  • 16/03/2014
  • 17:11
  • Atualização: 17:23

Ucranianos da Crimeia votam a favor de reunificação com Rússia

Primeiro-ministro anunciou que pedirá anexação oficialmente nesta segunda

Primeiro-ministro anunciou que pedirá anexação oficialmente na segunda | Foto: Vasily Maximov / AFP / CP

Primeiro-ministro anunciou que pedirá anexação oficialmente na segunda | Foto: Vasily Maximov / AFP / CP

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  • AFP

A Crimeia votou neste domingo por uma esmagadora maioria a favor da reunificação desta península ucraniana à Rússia, em um referendo denunciado por Kiev e pelo Ocidente. "Noventa e três por cento dos habitantes da Crimeia votaram neste domingo a favor de se integrar à Rússia, e 7% se pronunciaram a favor do status autônomo da Crimeia dentro da Ucrânia", de acordo com uma pesquisa de boca de urna divulgada pelas autoridades separatistas da Crimeia.

A Crimeia foi historicamente parte da Rússia até que a União Soviética a cedeu à Ucrânia, em 1954, por decisão de Nikita Khrushchev. No entanto, Moscou manteve no porto de Sebastopol a base de sua frota no Mar Negro. A população da região é, em sua maioria, de língua russa, e favorável à incorporação à Rússia. Já as minorias ucraniana e tártara, que representam 37% da população, haviam pedido o boicote do referendo.

Após a divulgação dos primeiros resultados, milhares de ucranianos saíram às ruas de Simferopol e Sebastopol para comemorar. O primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov, saudou imediatamente esta decisão histórica e anunciou que pedirá oficialmente na segunda-feira a anexação da região à Rússia.

"Obrigado a todos os que participaram do referendo e expressaram sua opção. Tomamos uma decisão muito importante que entrará para a história", declarou Aksyonov em sua conta no Twitter. "O Parlamento da Crimeia se reunirá na segunda-feira em sessão extraordinária para adotar uma candidatura oficial de integração à Federação da Rússia", acrescentou.

Já a Casa Branca rejeitou os resultados do referendo e criticou as ações perigosas e desestabilizadoras de Moscou nesta crise. "Este referendo é contrário à Constituição da Ucrânia, e a comunidade internacional não reconhecerá os resultados desta votação realizada sob ameaças de violência e intimidação por parte da intervenção militar russa que viola as leis internacionais", declarou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

O referendo, apresentado como um exercício de democracia popular pelas autoridades separatistas e por Moscou, foi realizado na presença de milhares de soldados russos que controlam a região há duas semanas junto às milícias separatistas. O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou em uma conversa por telefone com a chefe de governo alemão, Angela Merkel, que respeitaria "a escolha dos habitantes da Crimeia" e repetiu que o referendo estava em conformidade com o direito internacional.

Horas antes da divulgação dos primeiros resultados, a União Europeia condenou oficialmente o referendo, classificando-o de "ilegal e ilegítimo", e anunciou que serão decididas sanções na segunda-feira.  As autoridades separatistas chegaram ao poder em Simferopol após a destituição em Kiev, no dia 22 de fevereiro, do presidente pró-russo Viktor Yanukovytch. 

Os eleitores da Crimeia, 1,5 milhão de pessoas, deveriam optar entre "a reunificação com a Rússia como membro da Federação Russa" ou o retorno a um status de 1992, que nunca foi aplicado e que concede uma maior autonomia à região. A opção de manter o status atual dentro da Ucrânia não fazia parte das opções.


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