Porto Alegre, segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

  • 21/03/2014
  • 11:27
  • Atualização: 11:47

Buscas por avião desaparecido se estendem pelos mares austrais

Autoridades ressaltaram dificuldade da operação em localidades mais remotas

Familiares dos passageiros chineses manifestaram sua ira no primeiro encontro em Pequim | Foto: Manan Vatsyayana / AFP / CP

Familiares dos passageiros chineses manifestaram sua ira no primeiro encontro em Pequim | Foto: Manan Vatsyayana / AFP / CP

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  • AFP

Cinco aviões realizam buscas nesta sexta-feira ao sul do Oceano Índico, à procura dos objetos flutuantes detectados por imagens de satélite que poderiam ser destroços do voo MH370 desaparecido. Contudo, autoridades ressaltam a dificuldade da operação nestes mares austrais remotos. Treze dias após o desaparecimento dos Boeing 777 da Malaysia Airlines que fazia o trajeto entre Kuala Lumpur e Pequim, as buscas concentram-se em uma vasta extensão de água gelada com cerca de 23 mil km², a 2,5 mil quilômetroos do sudoeste de Perth, a principal cidade da costa oeste da Austrália, longe da trajetória inicial do avião, que transportava 239 pessoas.

Nessa quinta-feira, o governo da Malásia indicou que dois objetos de grande tamanho foram detectados no domingo por satélites no Oceano Índico. Descritas como "informações sérias e consistentes" pelo primeiro-ministro australiano, Tony Abbot, estes indícios são, "provavelmente, o que temos de melhor no momento", de acordo com o chefe da Autoridade Australiana de Segurança Marítima (AMSA), John Young.

Cinco aeronaves da Austrália e dos Estados Unidos participam das buscas nesta sexta-feira. Elas voam sob as nuvens para permitir que observadores a bordo analisem a água com os olhos, através das janelas, segundo a AMSA. "Ainda não encontramos nada de concreto por enquanto", declarou o ministro malaio dos Transportes, Hishammuddin Hussein, durante uma coletiva de imprensa. "Este será um trabalho longo".

Local isolado

A área incluída nas buscas é muito distante da costa e cada aeronave só pode realizar duas horas de observação antes de voltar para a terra. Um navio mercante norueguês chegou nessa quinta-feira na zona. Um navio australiano, o HMAS Success, poderoso o suficiente para rebocar enormes detritos, está a caminho, mas não chegará ao local antes de vários dias.

A China enviou sete navios para a região. A bordo do avião desaparecido haviam 153 chineses. Seu presidente, Xi Jinping, está "devastado" com o caso, assegurou o primeiro-ministro australiano, que falou com ele ao telefone. Após vários alarmes falsos, as autoridades enfatizam a complexidade das operações e recordam que os objetos que aparecem nas imagens de satélite podem não ser do Boeing 777. Além disso, desde a sua detecção, esses objetos podem ter afundado. Para o ministro da Defesa australiano, David Johnston, este é um "pesadelo logístico". "Estamos em uma área entre as mais isoladas do mundo. Na verdade, dificilmente há algums lugar mais isolado",
disse à TV australiana. "E este início não tem tranquilizado os ânimos, em meio à confusão, recriminações, pistas falsas e rumores dos últimos dias".

O voo MH370 desapareceu logo após a sua decolagem no sábado, dia 8 de março, às 00h41min (13h41min de sexta-feira no horário de Brasília). O avião fez um último contato com a torre de controle antes de mudar de direção e desaparecer sem deixar rastro, em uma manobra supostamente deliberada.

Crise em pleno voo


Estes elementos colocaram os pilotos no centro das investigações, que até o momento não resultaram em nada
conclusivo sobre estes dois homens. Os antecedentes dos passageiros também foram analisados, mais uma vez, sem resultado. Três cenários têm sido discutidos para tentar entender esse desaparecimento, considerado um dos maiores mistérios da aeronáutica moderna: uma mudança de direção, sabotagem por parte dos pilotos, uma crise de extrema gravidade em pleno voo que deixou o tripulação incapaz de agir, enquanto o avião voava no piloto automático durante oito horas, até a exaustão do seu combustível.

Para os parentes das pessoas a bordo, se os objetos percebidos foram, de fato, os destroços da aeronave, poderão abandonar toda a esperança de ver seus entes queridos vivos. Sarah Bajc, cujo marido Philip Wood estava a bordo, quer acreditar em um sequestro. "Mas, se esses destroços pertencerem ao avião, as minhas esperanças serão reduzidas a zero", disse.

Familiares dos passageiros chineses manifestaram nesta sexta-feira sua ira no primeiro encontro em Pequim com representantes das autoridades malaias, acusadas de ter perdido tempo na divulgação de informações. A reunião, em um hotel da capital chinesa perto do aeroporto, começou com um ambiente tenso. Os familiares exigiram no início que os funcionários malaios ficassem de pé para se apresentar. "Queríamos vê-los nas primeiras 24 ou 48 horas, o que teria aliviado nosso sofrimento destes últimos 13 dias", disse o familiar de um passageiro desaparecido, com a voz embargada pela emoção.

Além disso, os funcionários e militares enviados de Kuala Lumpur foram vaiados quando tomaram a palavra. Muitos familiares, nervosos e irritados, acreditam que desde o início as informações foram ocultadas. "O avião deu meia-volta, mas vocês negaram, e por culpa disso perderam muito tempo", disse uma das pessoas presentes na reunião. Um homem de 63 anos chorou. "Meu filho ainda está vivo, meu filho ainda está vivo. Eu não acredito nas últimas informações".

Desaparecimento


O voo MH370 da Malaysia Airlines desapareceu na madrugada de 8 de março após decolar da capital malaia Kuala Lumpur em direção a Pequim, na China. O Boeing sumiu dos radares uma hora depois da decolagem, entre o leste da Malásia e o sul do Vietnã, sem enviar mensagens de socorro.

Havia 239 pessoas a bordo do Boeing: 227 passageiros, incluindo duas crianças, e 12 tripulantes de 13 nacionalidades. Pelo menos dois passageiros utilizaram passaportes europeus roubados.

A Força Aérea da Malásia informou que a aeronave mudou de rota antes de desaparecer. O sistema de comunicação teria sido desligado e o avião teria diminuído a altitude para fugir dos radares. Entre as possíveis causas do desaparecimento estão as hipóteses de sequestro, terrorismo ou problemas psicológicos ou pessoais de alguém a bordo.

Pelo menos 26 países participam das operações de busca do avião: Austrália, Bangladesh, Birmânia, Brunei, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Filipinas, França, Índia, Indonésia, Japão, Cazaquistão, Quirguizistão, Laos, Malásia, Nova Zelândia, Paquistão, Reino Unidos, Rússia, Cingapura, Tailândia, Turquemenistão, Uzbequistão e Vietnã.

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