Porto Alegre, segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

  • 21/03/2014
  • 14:19
  • Atualização: 14:32

Comissão é criada para realizar o resgate do negro na cultura gaúcha

Nesta sexta-feira é comemorado o Dia Internacional de Combate ao Racismo

Nesta sexta-feira é comemorado o Dia Internacional de Combate ao Racismo | Foto: Rita Escobar / Divulgação / CP

Nesta sexta-feira é comemorado o Dia Internacional de Combate ao Racismo | Foto: Rita Escobar / Divulgação / CP

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  • Correio do Povo

No Dia Internacional de Combate ao Racismo instituído nesta sexta-feira, o Rio Grande do Sul anunciou que irá resgatar a importância dos negros na formação da cultura gaúcha, principalmente a participação dos Lanceiros Negros na Revolução Farroupilha. Para que isso ocorra, uma comissão estadual será responsável pela organização da programação dos 170 anos da Batalha de Porongos, ocorrida em 14 de novembro de 1844. O ato de criação da comissão foi realizado na sede da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (Figtf) no Centro Administrativo do Estado.

A comissão também será responsável pela recomendação da elaboração de estudos, pesquisas e incentivo à realização de campanhas relacionadas ao melhor entendimento da importância dessa batalha, assim como da importância da comunidade negra na Revolução Farroupilha e do combate ao racismo e invisibilidade negra na cultura gaúcha. O diretor técnico da Figtf, Cláudio Knierim, afirmou que a comissão começa a atuar em um momento que o Rio Grande do Sul é palco de atitudes racistas principalmente no esporte. “É ocasião para reafirmar a importância do povo negro na construção da identidade do Estado”, explicou. Segundo ele, a comissão não vai se restringir a essa questão, mas vai promover a organização de atividades culturais e debates pelo interior, assim como encaminhamento de propostas ao Poder Público. Uma das propostas é incluir no calendário escolar e de eventos a data de 14 de novembro como abertura da Semana da Consciência Negra.

Dilmair Santos, liderança da União de Negros Pela Igualdade (Unegro), disse que uma forma de perceber o preconceito racial é analisar os números de assassinatos de negros no Brasil. “O Ipea apontou, em sua última pesquisa, no ano passado, que 92% dos assassinatos que correm no país são de jovens negros, principalmente na periferia. A polícia quando faz abordagem nas comunidades, primeiro saca a arma e atira no jovem negro, justificando que o jovem reagiu, mas na verdade o que está acontecendo é um extermínio”, destacou.

A comissão - criada pelo decreto estadual 50.843 de 12 de novembro de 2013 - é coordenada pela Figtf e é composta por representantes do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (Codene), Movimento Negro Unificado (MNU), Unegro, Movimento Quilombista e Organização de Mulheres Negras - Maria Mulher.

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