Porto Alegre, quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

  • 21/03/2014
  • 21:39
  • Atualização: 22:12

Militantes querem transformar prédio do Dops em local de memória histórica

Imóvel no RJ está em reforma para ser transformado em Museu da Polícia Civil

Militantes realizaram ato simbólico em frente ao prédio do antigo DOPS | Foto: Agência Brasil / CP

Militantes realizaram ato simbólico em frente ao prédio do antigo DOPS | Foto: Agência Brasil / CP

  • Comentários
  • Agência Brasil

Militantes de movimentos sociais fizeram um ato na noite desta sexta-feira, em frente ao prédio onde funcionou o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), na Rua da Relação, no centro do Rio de Janeiro. Eles reivindicam que o imóvel, atualmente em reforma para ser transformado em Museu da Polícia Civil, seja destinado a um espaço de memória das vítimas da ditadura, da resistência e das lutas sociais.

O local foi palco, durante décadas, de repressão e tortura contra presos políticos, desde o governo de Getúlio Vargas até a ditadura militar instaurada com o golpe de 1964. O ato intitulado #OcupaDops teve a participação de artistas de rua em pernas de pau, que fizeram performances e batucada, lembrando a resistência negra durante a ditadura.

O evento continua neste sábado, a partir das 11h, em frente ao antigo Dops, com uma exposição de fotografias e uma mesa de debates, que terá a participação da historiadora Jessie Jane, que foi torturada pelos militares e ficou nove anos presa, por ter tentado sequestrar um avião, em 1970. O programa completo pode ser acessado em www.facebook.com/ocupa.dops.

“A ocupação cultural do Dops faz parte da luta de décadas para conseguir conquistar este prédio. É um símbolo da repressão, durante todo o século passado. Nele foram reprimidos vários movimentos sociais, inclusive dos negros do candomblé”, disse Ana Bursztyn-Miranda, do Coletivo RJ - Memória, Verdade e Justiça. Ela mesma foi presa durante a ditadura militar e ficou nove meses encarcerada no prédio do Dops.

Ana acredita ser difícil conciliar o projeto do memorial com o do museu da Polícia Civil. “Se nós tivéssemos uma polícia que não fosse tão violenta, que ao menos reconhecesse o que foi esse golpe de Estado e o quanto ele fez sofrer a população, a gente poderia até discutir essa questão. Mas, neste momento em que pessoas são arrastadas, que Amarildos se proliferam, é difícil. No momento histórico que a gente vive, são iniciativas antagônicas. Será possível quando a polícia e as Forças Armadas reconhecerem o que aconteceu e como foram violentas”, refletiu.

O prédio tem 6 mil metros quadrados, e foi construído em 1910 para ser sede da Polícia Central do Brasil, quando o Rio era a capital do país. Por suas dependências passaram gerações de ativistas políticos, quase todos vítimas de maus-tratos e torturas.

Bookmark and Share