Porto Alegre, terça-feira, 21 de Outubro de 2014

  • 22/03/2014
  • 09:12
  • Atualização: 10:10

Dia Mundial da Água serve de reflexão sobre os desabastecidos do RS

Estado registra 11,8% da população sem o serviço de maneira regular

Rio Grande do Sul registra que 11,8% da população não tem abastecimento regular | Foto: Fabiano do Amaral

Rio Grande do Sul registra que 11,8% da população não tem abastecimento regular | Foto: Fabiano do Amaral

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  • Karina Reif / Correio do Povo

Apesar de 12% dos recursos hídricos do mundo estarem em seu território, o Brasil ainda tem contrastes na gestão de água. O Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (Snis) estima que 17,6% ainda não sejam atendidos por rede de abastecimento. No Rio Grande do Sul, o índice baixa para 11,8%. O Dia Mundial da Água, celebrado neste sábado, é dedicado à discussão sobre os mecanismos para suprir a demanda e os usos sustentáveis.

Enquanto vê o desperdício em alguns bairros de Porto Alegre e gente lavando calçadas com mangueira, a zeladora Sandra Regina Moraes, 39 anos, pensa no quanto precisa economizar para fazer as atividades básicas, como tomar banho, lavar a casa e as roupas. "Sinto como se estivesse naqueles países da África carregando baldes na cabeça", observa, lembrando que a água é o bem mais precioso para ela e para os moradores de 350 casas na Vila Santo André, na Capital. Isso porque as cerca de 1,5 mil pessoas residentes do espaço nas proximidades da avenida Castelo Branco dependem de caminhão-pipa para encher reservatórios improvisados dentro dos imóveis. Como a área, na zona Norte da cidade, é invadida, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) não instalou uma rede de abastecimento, mas leva água de uma a duas vezes ao dia para completar três caixas de 5 mil litros.

Uma parte dos habitantes fez uma ligação irregular, porém o restante espera a água chegar para encher galões e levar para a família. Quando os veículos da prefeitura chegam, os moradores correm e ficam em volta dos reservatórios como um enxame de abelhas disputando para levar até dez baldes. Alguns colocaram mangueiras para levar o conteúdo a recipientes na parte superior das casas de madeira.

“Quando tem água, a gente aproveita para lavar a casa e guardar para a comida, porque acaba muito rápido”, conta a irmã de Sandra, Marli Terezinha Moraes Batista, 31 anos. Mãe de quatro filhos, com idades entre 2 e 14 anos, ela precisa administrar a água, que deve ser suficiente para o banho das crianças, para a descarga do banheiro e para limpar o chão, as roupas e a louça. “É uma função".

O Dia Mundial da Água foi recomendado e criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, no Rio de Janeiro. Desde então, o debate sobre o assunto ocorre em vários lugares do mundo com um tema anual escolhido pela ONU. No ano passado, o foco foi na “Cooperação pela Água” para incentivar a troca de experiências e a busca por soluções na gestão dos recursos hídricos.

A rotina de quem não tem água

Segundo o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), 100% da população de Porto Alegre têm acesso à água potável. São atendidas por caminhão-pipa as Áreas de Proteção Ambiental (APA) ou de risco, onde não é possível instalar redes. São 192 residências e 736 usuários. O volume distribuído por caminhão-pipa em 2013 foi de 43.689 cúbicos, ou 3.640 m³/mês.

O abastecimento é feito uma vez por semana, com a distribuição de cerca de 3 mil litros por residência na Ilha Grande dos Marinheiros – braço Norte – APA; Ilha do Pavão; Estrada da Extrema; estrada Luiz Correa da Silva; Estrada das Quirinas; av. Boa Vista; estrada Jacques da Rosa; beco Casemiro Schmiedel; rua José Imhoff; estrada São Caetano; Rua do Cerro; estrada Chapéu do Sol; e Amir Domingues.

Há ainda reservatórios comunitários de 5 mil litros, com abastecimento diário na Vila Santo André, Vila Laranjeiras, Vila Nova Tijuca, Estrada Chapéu do Sol e Cooperativa Pró-Morar.  O Dmae informa que a Vila Santo André está localizada em uma área irregular de domínio da Concepa. No local, está prevista a instalação do Programa Consumo Responsável até que a situação seja regularizada. Para isso, foram concluídos os levantamentos dos lotes e topográfico para a elaboração do projeto de redes dentro desse programa.

O programa tem o objetivo de garantir água aos moradores e reduzir as perdas em algumas áreas irregulares sem redes de abastecimento, com extensões feitas com tubulações de materiais heterogêneos e inapropriados, com emendas deficientes, feitas muitas vezes pelos próprios habitantes. Como a captação é precária, há riscos para a saúde, além de desperdício e evasão.

O abastecimento é provisório, até que se estabeleça regularização ou remoção das famílias. Foram estabelecidos critérios simplificados para a implantação das redes, incluindo diâmetros inferiores a usuais para redes distribuidoras e medidores coletivos.

O Dmae investiu R$ 1,8 milhão, com a implantação de 23 quilômetros de redes que já atendem 2,3 mil residências, beneficiando mais de 15 mil pessoas de locais como Vila da Conquista, Jardim Marabá, Vila das Taquareiras e Morada da Colina. A segunda etapa do programa está em licitação. Estão previstos 18,5 quilômetros de redes de distribuição e 3 mil ligações, com investimento de R$ 2,2 milhões.

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