Porto Alegre, segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

  • 24/03/2014
  • 16:16
  • Atualização: 16:24

Forças Armadas vão ocupar o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro

Ministro da Justiça disse que as tropas ficarão o tempo que for necessário

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  • Gabriel Jacobsen / Rádio Guaíba

O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, pediu nesta segunda-feira a intervenção das Forças Armadas no Complexo da Maré, na zona Norte do Rio de Janeiro. O pedido de intervenção se baseia na Garantia da Lei e da Ordem (GLO), instrumento previsto na Constituição Federal que dá poder de policiamento às Forças Armadas.

A solicitação foi feita ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que estava acompanhado do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi. "É uma situação definitiva a presença do Estado na comunidade. As forças federais ficarão o tempo que for necessário (na área)", disse o ministro.

Os detalhes técnicos da intervenção, inclusive o número de soldados e a duração da intervenção, serão definidos em outra reunião da cúpula de segurança estadual com representantes dos ministérios da Justiça e da Defesa. O encontro ocorreu no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) no Rio de Janeiro.

Ao justificar o pedido, o governador afirmou que eles têm relação direta com os ataques recentes às unidades de Polícia Pacificadora. O pedido, segundo ele, reforça a vontade do governo de cumprir o cronograma de instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora na Maré no segundo semestre.

"É um passo decisivo para a segurança, em uma área estratégica do Rio, pelo ir e vir nas linhas Vermelha e Amarela, na Avenida Brasil e na Transcarioca, que passam por ali e por uma população trabalhadora que vive ali", disse o governador.

O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, informou que a polícia do Rio irá entrar primeiro no Complexo da Maré, e depois, passará o comando para o Exército. Ele explicou que antes do Exército ocupar o Complexo da Maré, haverá uma série de operações das polícias estaduais.

“Primeiro, entram as forças do estado e depois nós passamos essa área ao Exército. Depois da Garantia da Lei e da Ordem instalada, quem vai fazer a ocupação é o Exército. Nós vamos entrar antes, para fazer um trabalho de inteligência. Temos algumas ações a serem feitas lá. É fundamental que o estado entre lá mais uma vez”, disse, após reunião ocorrida entre o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, e o governador Sérgio Cabral, que estabeleceu as formas de atuação das Forças Armadas, sob o regime jurídico de Garantia da Lei e da Ordem, quando o comando do território passa para as forças federais.

De acordo com Beltrame, haverá colaboração da Polícia Federal, na área de inteligência, e da Polícia Rodoviária Federal, que fará um cerco em determinados lugares a serem definidos. O secretário admitiu que parte do comando das ações contra as unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) partiram de presídios. “Parte sim, com a execução de quem está fora”.

O secretário reconheceu que a ocupação da Maré, que deveria ocorrer no futuro, só será possível agora com a ajuda do Exército. “Entrar em qualquer lugar do Rio de Janeiro não é problema para a polícia. O problema é entrar e se manter nesses locais. A Maré, assim como era a Cruzeiro, a Rocinha, o São Carlos, é uma área dessas. Vamos fazer ocupação e depois vamos passar para o Exército, porque nós não temos, por enquanto, como ocupar toda a Maré. Lá não é um lugar simples. Nós pensávamos em colocar 1.500 homens. Nós faremos a ocupação e dali a uns dias a gente passa para o Exército.”

Ele classificou as operações contra o crime organizado, com o auxílio de tropas federais, como “a luta do bem contra o mal”. “A resposta que nós temos que dar é exatamente essa. É a tomada de território, é o avanço do processo. É dizer que nós temos parceiros, que a nossa luta é do bem contra o mal, não a da civil, nem da militar, nem da federal. Dizer para o Brasil que nós somos mais fortes que essas facções”, declarou Beltrame, em entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).

Beltrame disse que a intenção é tomar os territórios ocupados por traficantes de drogas, principalmente daqueles que têm ordenado ataques às UPPs. “A nossa resposta para o tráfico é fazer eles perderem mais territórios. Não nos interessa a facção. Se eles continuarem reagindo dessa forma, nós vamos avançar cada vez mais, no sentido de mostrar para eles que nós somos mais fortes, que nós temos parceiros e que temos condição de avançar nesse processo.”

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