Porto Alegre, segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

  • 25/03/2014
  • 15:47
  • Atualização: 15:59

Vítima aponta torturadores em relatório da CNV sobre Casa da Morte

Relatório preliminar foi entregue nesta terça-feira em audiência pública no Arquivo Nacional

Inês Etienne Romeu, única sobrevivente da Casa da Morte | Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil / CP

Inês Etienne Romeu, única sobrevivente da Casa da Morte | Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil / CP

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  • Agência Brasil

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) apresentou nesta terça-feira, em audiência pública no Arquivo Nacional, o relatório preliminar sobre a Casa da Morte de Petrópolis, um centro de tortura clandestino usado pelos militares, na década de 70, durante os governos Médici e Geisel. "Estamos conseguindo demonstrar que ela existiu e foi produto de uma ação deliberada do Estado brasileiro de fazer das violações aos direitos humanos uma política de Estado. Conseguimos identificar uma lista de torturadores que atuaram na Casa da Morte e listar vítimas que estiveram ou desapareceram", avaliou o coordenador da CNV, Pedro Dallari.

Ele identificou o centro de tortura clandestino como uma consequência dos desdobramentos do caso Rubens Paiva, deputado federal torturado até a morte pelo regime. "O caso Rubens Paiva demonstrou para as forças da repressão que havia risco em realizar aquelas operações de tortura e assassinato, da politica de extermínio, em uma estrutura que não fosse clandestina. A Casa da Morte foi a primeira neste sentido".

O relatório se baseia principalmente nos relatos de Inês Etienne Romeu, ex-dirigente do movimento de esquerda armada Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e única sobrevivente das torturas da casa. Inês foi sequestrada em São Paulo, em 5 de maio de 1971, e ficou aprisionada no centro de tortura de 8 de maio a 11 de agosto daquele ano. No período, foi espancada, estuprada e submetida a torturas psicológicas e deficiências alimentares.

Enquanto estava presa, Inês tentou se suicidar duas vezes e, depois de deixar a Casa da Morte ela ainda cumpriu oito anos de prisão. Inicialmente, sua condenação era à prisão perpétua, mas a Lei da Anistia a limitou aos oito anos já cumpridos pela participação no sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em 1970.

Com problemas na fala causados por uma agressão sofrida há dez anos em casa, Inês não pode depor, mas foi acompanhada pela irmã e aplaudida de pé: "sua missão é de heroísmo. Você não tem mais o que temer. Você venceu", disse a irmã, Celina Romeu, que leu uma carta em que contou a trajetória de angústia da família nos dias em que ela esteve desaparecida, dada como morta e, depois, presa. "A família se mobilizou toda e nos espalhamos pelo Brasil. Amigos, militares, amigos que não apoiavam a tortura, todos procurando. Um agente da repressão chegou a dizer: "nós não contávamos com a família dela".

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