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27/03/2014 10:49 - Atualizado em 27/03/2014 11:15

Libertado homem que passou quase meio século no corredor da morte

Japonês de 78 anos pode ter sido condenado injustamente

Após 48 anos, Iwao Hakamada,de 78 anos, saiu do corredor da morte no Japão <br /><b>Crédito: </b> Jiji Press / AFP /CP
Após 48 anos, Iwao Hakamada,de 78 anos, saiu do corredor da morte no Japão
Crédito: Jiji Press / AFP /CP
Após 48 anos, Iwao Hakamada,de 78 anos, saiu do corredor da morte no Japão
Crédito: Jiji Press / AFP /CP

O japonês Iwao Hakamada,de 78 anos, considerado o recluso que está há mais tempo condenado à morte no mundo, foi libertado nesta quinta-feira no Japão para ser julgado novamente. Hakamada passou meio século no corredor da morte à espera de ser enforcado.

Nos últimos anos surgiram dúvidas sobre a culpa de Hakamada, de 78 anos, condenado em 1968 por vários assassinatos cometidos em 1966, o que levou o tribunal de Shizuoka (sudeste do Japão) a decidir nesta quinta-feira voltar a julgar o caso.

Este ex-funcionário de uma fábrica processadora de soja, que foi durante algum tempo boxeador profissional, foi declarado culpado em 1968 por assassinar seu patrão, a esposa dele e dois de seus filhos, em 1966.  A pena de morte foi confirmada pela Suprema Corte japonesa em 1980. No entanto, nos últimos anos apareceram novos elementos, entre eles análises de DNA negativas, que provariam a inocência de Hakamada.

"O tribunal suspendeu a pena de morte à qual este homem foi condenado", afirmou um funcionário judicial. Detido em 1966 e condenado a morrer na forca dois anos depois, Hakamada sofreu no corredor da morte esperando sua eventual execução por quase meio século.

Iwao Hakamada saiu da prisão em companhia de sua irmã mais velha. No exterior da prisão era esperado por uma multidão de fotógrafos e câmeras de televisão. Hakamada, um pouco encurvado, mas com bom aspecto, parecia surpreso.

Ele sempre declarou que não teve nenhuma ligação com o assassinato quádruplo, apesar de ter assinado uma declaração, segundo ele sob pressão policial. Um Comitê de apoio, assim como a Associação do fórum de advogados japoneses, exigem há tempos a revisão deste caso.

Enquanto esperava, sua irmã Hideko, já octogenária, há 48 anos o visitava na prisão, embora nos três últimos anos seu irmão mais novo se negasse a vê-la. Na manhã desta quinta-feira ela recuperou o sorriso ao aparecer diante das câmeras de televisão na saída do tribunal de Shizuoka, para agradecer aos que a ajudaram em sua longa luta.
"Obrigada, realmente muito obrigada a todos! Isto aconteceu graças a vocês, que me ajudaram. Estou feliz", declarou com força aos microfones e em frente a uma horda de jornalistas e ao público que demonstrava seu apoio.

As novas revelações colocaram em xeque a justiça japonesa. Inclusive um dos juízes que decidiu a pena de morte havia declarado que não estava convencido da culpa de Hakamada.

A Anistia Internacional e outras ONGs pediram a reabertura e a revisão completa do caso. Após a execução de dois condenados, em dezembro passado, outros 129 esperam sua vez no corredor da morte das prisões japonesas,
segundo o ministério da Justiça. Japão e Estados Unidos são as únicas sociedades democráticas industrializadas onde ainda é aplicada a pena de morte.

As organizações internacionais de defesa dos direitos humanos denunciam a crueldade com a qual os condenados à morte podem esperar sua execução durante muitos anos, isolados em suas celas e sendo avisados da aplicação de sua pena apenas horas antes de sua concretização.


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Fonte: AFP






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