Porto Alegre, segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

  • 29/03/2014
  • 13:32
  • Atualização: 13:38

Ato lembra golpe de 64 em Porto Alegre

Atividades de “descomemoração” começam às 15h, no Dopinha

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  • Gabriel Jacobsen / Rádio Guaíba

O Comitê Gaúcho da Verdade, Memória e Justiça Carlos de Ré promove um ato político-cultural às 15h deste sábado na antiga sede do Dopinha, no bairro Independência, em Porto Alegre, em descomemoração ao golpe civil-militar de 1964. O Dopinha funcionou como um centro clandestino de sequestro e tortura de cidadãos contrários à ditadura.

A coordenadora do Comitê, Christine Rondon, defende a importância de ressignificar o local para que não se esqueça dos militantes que lutaram pela democracia durante os "Anos de Chumbo". "É um espaço de nossa cidade que a gente pretende ressignificá-lo para que se torne um lugar de cultura, de homenagem, e que a gente possa exaltar a memória daqueles que lutaram pela liberdade democrática", afirmou

Questionada sobre a importância de se relembrar o último período ditatorial vivido no País em atos como o de hoje, Christine afirma que existe, ainda, nas instituições brasileiras o legado do autoritarismo daquela época. Ela cita como exemplo os atos de arbitrariedade nas atividades das polícias brasileiras.

"Isso terminou? A gente não vê a polícia agindo com a mesma arbitrariedade, violência e impunidade cometendo crimes? Não contra os terroristas, mas hoje contra os vândalos, que são os novos terroristas. A gente tem em todos os poderes, justamente pela falta de democratização das instituições do País, um grande legado do autoritarismo e das estruturas que nos foram impostas durante o regime civil-militar", aponta.

O casarão onde funcionou o Dopinha, na rua Santo Antônio, está em processo de transformação em memorial que levará o nome do estudante secundarista Ico Lisboa, assassinado pelos agentes da ditadura. Na terça-feira, dia 1º de abril completam-se 50 anos do golpe que deixou os militares no poder por 21 anos e resultou em prisões, torturas, assassinatos e supressão de direitos.

As atividades deste sábado passam por apresentações musicais de Pedro Munhoz, Talo Pereyra e Leonardo Ribeiro, palestras, leitura de poemas de Ico Lisboa e lançamento do filme "Heranças de 64".

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