Porto Alegre, sábado, 25 de Outubro de 2014

  • 31/03/2014
  • 07:46
  • Atualização: 08:07

Ditadura militar no Brasil foi marcada pela repressão

Golpe de 1964 se sustentou por tortura, desaparecimentos, cassações e supressão das liberdades civis

Jango, já deposto, ao lado de Leonel Brizola, governador gaúcho, em 1965 | Foto: CP Memória

Jango, já deposto, ao lado de Leonel Brizola, governador gaúcho, em 1965 | Foto: CP Memória

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  • Correio do Povo

A tortura e o desaparecimento de opositores são considerados as marcas mais fortes dos 21 anos de ditadura militar no Brasil. Autoritário, violento e nacionalista, o regime militar, instalado no país entre 31 de março de 1964 e 15 de março de 1985, é considerado uma das páginas mais difíceis da história brasileira.

Implantado quando as Forças Armadas derrubaram o governo do presidente eleito João Goulart, há exatos 50 anos, o regime de exceção só terminou quando José Sarney assumiu o cargo de presidente em 1985. Jango foi deposto pelos militares com apoio de setores da sociedade, que temiam que ele desse um golpe de esquerda. Os militares prometiam entregar logo o poder aos civis, mas o país viveu uma ditadura das mais cruéis da América Latina.

Houve tortura e ataque aos adversários do regime, forte censura aos meios de comunicação e violenta repressão que deixou centenas de mortos, 400 desaparecidos e outros milhares de opositores optando pelo exílio. Políticos foram cassados e presos, o Congresso Nacional dissolvido, com a supressão de liberdades individuais. O novo governo, instalado a partir de 1964, pôs em prática vários atos institucionais, culminando com o AI-5, de 1968, que vigorou até 1978. A Constituição de 1946 foi substituída pela Constituição de 1967.

A inflação crônica e a pressão social, no entanto, com movimentos pró-democracia por todo o país, na década de 1980, levaram o regime ditatorial ao esgotamento. O governo aprovou Lei de Anistia para crimes políticos cometidos pelo e contra o regime, as restrições às liberdades civis foram relaxadas e, então, eleições presidenciais foram realizadas em 1984, com candidatos civis. Os militares só deixaram o poder em 1985, e o Brasil só teria nova eleição direta em 1989.

Filmes igualavam a esquerda a Hitler

Imagens de Hitler, Stalin, Lênin e Mussolini misturam-se a fotos de Che Guevara, Fidel Castro e Kruchev e de greves no Brasil do início dos anos 1960. Tudo marcado pela voz empostada do locutor Luiz Jatobá, com frases dramáticas, como a definição do destino dos húngaros: "Eles preferiram a morte à tirania". Filmes produzidos pelo fotógrafo Jean Manzon, que formou polêmica dupla com David Nasser na revista O Cruzeiro nos anos 1950, ajudaram na doutrinação da população para o Golpe Militar de 1964. Foram 14 filmes exibidos em cinemas e empresas e estavam entre as iniciativas de propaganda do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, instituição surgida em 1961, pela articulação de empresários e militares que discutiram política e engendraram o Golpe de 1964.

SNI monitorou Jango no exílio

Documentos secretos do Serviço Nacional de Informações (SNI), de 1975, mostram que o ex-presidente João Goulart sondava o terreno político para tentar sua anistia e discutia a possibilidade de formação de um terceiro partido, como alternativa para Arena e MDB. O informe foi produzido pelo SNI, em abril de 1975. Além de monitorar os passos de Jango no Uruguai, agentes do SNI se infiltraram na sua festa de aniversário, em 1975, aproveitando a presença de muitas pessoas na casa. Segundo as estimativas do SNI, havia "mais ou menos cem pessoas presentes".

Confira cronograma do golpe:


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