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31/03/2014 11:12 - Atualizado em 31/03/2014 11:32

Rússia reduz presença militar na fronteira com Ucrânia

Putin e Obama concordaram com negociações para encontrar solução para crise

A Rússia está retirando progressivamente as tropas posicionadas na fronteira com a Ucrânia, anunciaram nesta segunda-feira as autoridades ucranianas, apesar do fracasso das discussões entre Moscou e Washington em Paris.

A presença dos soldados era vista como um indício de uma possível invasão do leste do país, em grande parte de língua russa, após a perda da Crimeia, ao sul, para onde o primeiro-ministro russo Dmitri Medvdev viajou nesta segunda-feira.

"As forças russas se retiram progressivamente da fronteira", afirmou o porta-voz do Estado-Maior do ministério da Defesa ucraniano, Olexei Dimitrashkivski. "Talvez tenha ligação com a necessidade de assegurar um rodízio. A outra hipótese é que estaria relacionada com as negociações entre Rússia e Estados Unidos" domingo à noite em Paris, considerou.

A reunião, em caráter de urgência, entre os chefes da diplomacia russa Sergue Lavrov e americana John Kerry foi decidida nessa sexta-feira à noite durante um telefonema entre Vladimir Putin e Barack Obama, que concordaram sobre a necessidade de negociações a fim de encontrar uma solução para a crise.

Antes do encontro, o ministro russo afirmou que Moscou não tinha "a intenção nem o interesse" de atravessar a fronteira da Ucrânia, o que fez crer numa vontade de acabar com esta confrontação, sem precedentes desde o fim da Guerra Fria entre Moscou e o Ocidente.

Mas após quatro horas de discussões, os dois homens constataram as posições divergentes sobre a crise ucraniana, mas aceitaram continuar a discutir o tema para chegar a um acerto diplomático. "Manifestamos posições divergentes sobre as razões da crise ucraniana. Entretanto, estamos de acordo sobre a necessidade de encontrar pontos de acordo para chegar a um acerto diplomático dessa crise", declarou Lavrov no domingo.

O chefe da diplomacia russa prosseguiu com seus contatos diplomáticos nesta segunda-feira com seu colega francês Laurent Fabius, que segundo o Quai d'Orsay ressaltou "a urgência de uma solução diplomática". O ministro francês deve, no início da tarde, viajar para Berlim, onde encontrará seus colegas alemão, Frank-Walter Steinmeier, e polonês, Radoslaw Sikorski.

Uma invasão menos provável por sua vez, o americano John Kerry insistiu na necessidade de se consultar Kiev sobre qualquer decisão que diga respeito ao país, em referência à ideia apresentada por Moscou de uma solução de "federalização" da Ucrânia, dando margem a uma autonomia às regiões de língua russa no leste desta ex-república soviética. "Não aceitaremos um processo, no qual o governo legítimo da Ucrânia não se sente à mesa (de negociações). Não haverá decisões sobre a Ucrânia sem a Ucrânia", declarou Kerry.

O secretário de Estado americano também reiterou o apelo de Washington para a retirada das forças russas na fronteira da Ucrânia, uma pré-condição para qualquer solução. Na quinta-feira, o presidente do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, Andrei Parubei, afirmou que Moscou havia mobilizado 100 mil soldados ao longo da fronteira com a Ucrânia, enquanto que o governo dos Estados Unidos mencionou a presença de 20 mil  homens. Moscou negou ter enviado tropas à fronteira e alegou que recentes inspeções internacionais não destacaram nenhuma atividade militar fora do comum. O Kremlin acusou os países ocidentais de má-fé.

O porta-voz do ministério ucraniano da Defesa não soube precisar quantos homens estão atualmente nas regiões de fronteira. O especialista militar Dmytro Tymchuk estimou em 10 mil os efetivos ainda estacionados. "A probabilidade de uma invasão diminuiu consideravelmente", considerou em seu blog.

Medvedev na Crimeia Em Kiev, o presidente interino Olexandre Turtchinov assegurou que o país continuará a se preparar para o pior. "Garantiremos a defesa de nossas fronteiras. Estamos prontos para qualquer agressão", disse durante uma revisita da Guarda Nacional, um verdadeiro exército de voluntários criado pelas autoridades de transição na Ucrânia após a destituição Viktor Yanukovytch, no final de fevereiro.

Ele também rejeitou toda a ideia do federalismo. "MM. Lavrov, Putin e Medvedev podem propor o que quiserem para a Federação da Rússia e para resolver seus problemas, mas não os problemas da Ucrânia", declarou.

Domingo, o ministério das Relações Exteriores da Ucrânia acusou Moscou de tentar desestabilizar e quer dividir ainda mais o país, que já perdeu a Crimeia. A península do Mar Negro, que em menos de três semanas foi anexada à Federação da Rússia, recebeu a visita do primeiro-ministro Dmitry Medvedev nessa segunda-feira.

Primeiro líder do alto escalão a visitar este território após sua anexação, ele conduziu uma reunião dedicada ao desenvolvimento social e econômico desta península do sul da Ucrânia. "Estou em Simferopol. Hoje o governo vai discutir o desenvolvimento da Crimeia", escreveu Medvedev na rede social Twitter.

O favorito nas pesquisas de opinião à eleição presidencial ucraniana de 25 de maio, o bilionário Petro Porochenko, reconheceu que a Ucrânia tem poucas chances de recuperar a Crimeia em curto prazo.

Este ex-ministro de 48 anos, que apoiou o movimento de contestação contra Yanukovytch, é um dos 46 candidatos que apresentaram sua candidatura à Comissão Eleitoral.

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Fonte: AFP






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