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31/03/2014 17:03 - Atualizado em 31/03/2014 18:55

Edital do transporte público prevê também veículos do BRT

Estudo indica que, sem ultrapassagens, sistema da Capital terá perda de tempo em relação a Belo Horizonte

Conteúdo publicado nesta segunda está disponível para consulta da população<br /><b>Crédito: </b> Samuel Maciel / CP memória
Conteúdo publicado nesta segunda está disponível para consulta da população
Crédito: Samuel Maciel / CP memória
Conteúdo publicado nesta segunda está disponível para consulta da população
Crédito: Samuel Maciel / CP memória

Guardado a sete chaves pela Prefeitura de Porto Alegre, o primeiro edital de licitação do transporte público da cidade foi publicado na manhã desta segunda-feira e todo o seu conteúdo está disponível para consulta.  Além de prever a concessão de 370 linhas que hoje circulam em três bacias na Capital, o edital também licitará os
veículos do sistema Bus Rapid Transit (BRT), que será concluído, com os quatro corredores e terminais instalados, até 2016. 

Pesquisadores do Laboratório de Sistemas e Transportes (Lastran) da Ufrgs comparam o sistema gaúcho com o implantado na capital mineira, Belo Horizonte. Segundo eles, o BRT porto-alegrense será inferior. João Fortini Albano, engenheiro e pesquisador da universidade, aponta que a impossibilidade de ultrapassagem nos quatro corredores de BRTs da Capital trará perdas ao sistema. O de Belo Horizonte permite. “Isso é um dos grandes lances do BRT e o nosso não tem isso, o que gerará uma quebra de 30% a 40% no ganho de tempo do transporte. Faltou um pouco de ousadia por parte da prefeitura para fazer desapropriações.”

Outro dos pontos que chama atenção do Lastran é o tamanho dos veículos. Os de Porto Alegre serão menores que os mineiros. Além disso, os BRTs de Belo Horizonte são biarticulados. Os da Capital, mono. “Isso também depende da curvatura do corredor. Um ônibus biarticulado se adapta melhor aos trechos de curva, tem duas rótulas no meio e faz uma curva melhor. O  monoarticulado tem uma só rótula no meio, com duas partes rígidas maiores”, explica Albano.

Para colocar o BRT em funcionamento, é preciso ainda instalar as estações e os terminais em nível, agilizando embarque e desembarque e facilitando a cobrança da tarifa, que será feita externamente. No edital, a cidade continua dividida em quatro bacias: Norte, Sul, Leste e transversal. As 30 linhas transversais prosseguem sob administração da Carris, empresa pública da prefeitura. As demais serão licitadas. Um mesmo consórcio ou empresa estarão livres para apresentar propostas para cada uma das três bacias, no entanto, poderão vencer em apenas uma.

A intenção das 12 empresas privadas que, atualmente, operam o sistema de transporte é concorrer. No entanto, os empresários devem fazer uma análise das exigências do edital antes de tomar a decisão. É possível que eles se
apresentem agrupados em uma disposição diferente da dos atuais consórcios. 

Para cada bacia, será calculada uma tarifa técnica, que deve ficar em torno do valor indicado na última semana pela ETPC, de R$ 2,95. A tarifa da bacia Sul, no entanto, é a mais cara da cidade, pois os trajetos percorridos pelos ônibus são maiores. Vence a licitação a empresa ou o consórcio que cumprir as exigências do edital, apresentando a menor tarifa. O valor da passagem para os usuários continuará único.

Para garantir a atração de um número maior de concorrentes, ao construir o edital, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) optou por alterar a duração do contrato de concessão. Inicialmente, a validade seria de 10 anos prorrogáveis por mais 10. O edital prevê agora contratos de 20, não renováveis.

Apesar ter evitado falar sobre o edital de licitação na última semana, reta final da publicação, o presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, confirmou que o sistema BRT está incluído na licitação. “Não vai ter nova licitação para o BRT. A licitação é essa. Quando eles e o metrô entrarem no sistema, será feito um reequilíbrio.” Os operadores vencedores nas bacias Leste e Sul ficarão responsáveis pela compra dos ônibus novos para montar a operação do sistema.

Os corredores, ainda em construção, passam pelas avenidas Protásio Alves e Bento Gonçalves, que pertencem à bacia Leste, e pelas avenidas João Pessoa e uma parte da Padre Cacique, localizadas na bacia Sul.

Os detalhes da integração do sistema BRT com o atual modal de transporte coletivo, no entanto, ainda estão incompletos. “Há um grupo técnico trabalhando para definir essa integração. Existem várias possibilidades, mas uma coisa é certa: se não houver uma adaptação do transporte metropolitano para os BRTs, eles não poderão mais circular nos corredores de Porto Alegre. Há a opção também de haver BRTs Metropolitanos”, disse Vanderlei Cappellari.

O secretário de Gestão, Urbano Schmitt, responsável pelas obras de mobilidade da Capital, alerta para um futuro um pouco mais distante: a chegada do metrô. “Quando entrar o metrô, os ônibus que circulam pela bacia Norte terão que se ajustar a ele.”

Essa adaptação, segundo a EPTC, estará prevista no edital. “As linhas de ônibus que seguem direto pela avenida Assis Brasil, com o metrô, não virão mais. O operador que ganhar a bacia Norte saberá pelo edital que algumas linhas serão cortadas e alimentarão o metrô.”

Itens do edital
Ar-condicionado
O equipamento estará presente em 100% da frota. A instalação será gradual, quando da troca dos veículos.

GPS

A instalação do equipamento permitirá controle total sobre a operação dos ônibus. Servirá tanto para informar o usuário sobre o tempo de chegada, por meio de aplicativos para celular, quanto para que o motorista passe informações à central. Isso pode evitar que dois ônibus passem na sequência.

Veículos maiores
A legislação determina até seis passageiros por metro quadrado. Na licitação, a ocupação será reduzida para quatro.

Idade
O edital determina que a idade média dos veículos fique entre 4 e 5 anos. Atualmente, os ônibus da Capital podem atingir os dez anos, no entanto, tendem a ser retirados de circulação antes disso por causa das despesas com manutenção. A idade média da frota em 2013 era de 4,32.

Ampliação da frota
Serão adicionados 70 veículos. Atualmente, 1.701 estão em circulação. A EPTC alterou a especificação do tamanho dos veículos. Os ônibus menores (com 12 e 14 metros) foram praticamente retirados. Os veículos terão 16, 18 e 24 metros.

Painéis informativos
Os novos concessionários terão que instalar tabelas de horário nos 56 terminais da cidade.

Ajuste nas linhas
As linhas de alguns bairros serão prolongadas nas pontas devido à expansão urbana.

Recompensa por produtividade
Haverá remuneração dos empresários por produtividade. A empresa que conseguir captar mais passageiros (por qualidade e pontualidade) receberá um lucro maior.

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Fonte: Fernanda Pugliero / Correio do Povo






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