Porto Alegre, sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

  • 02/04/2014
  • 22:18
  • Atualização: 22:25

CNBB reconhece apoio ao golpe de 1964 em nota

Entidade da Igreja Católica salientou mudança de posição após identificar repressão violenta

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  • Agência Brasil

Em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), instituição vinculada à Igreja Católica, reconheceu, nessa terça-feira, seu posicionamento inicial de “combate ao comunismo” no golpe de 1964. A entidade também admitiu ter apoiado os militares enquanto esses assumiam o país.

Apesar disso, ela enfatizou que houve uma mudança de postura no decorrer dos eventos. “Se é verdade que, no início, setores da Igreja apoiaram as movimentações que resultaram na chamada 'revolução', com vistas a combater o comunismo, também é verdade que a Igreja não se omitiu diante da repressão”, salientou. A CNBB reiterou que defende a democracia e ressalta que a Igreja reviu sua posição após constatar como o Estado atuava, de forma repressiva e violenta.

O golpe de 1964, que instituiu a ditadura no Brasil, teve apoio de vários setores da sociedade. Nesse contexto, a Igreja Católica se posicionou a favor do golpe, em um país constituído por mais de 75% de analfabetos e mais de 95% de católicos. “Recontar os tempos do regime de exceção faz sentido enquanto nos leva a perceber o erro histórico do golpe, a admitir que nem tudo foi devidamente reparado e a alertar as gerações pós-ditadura para que se mantenham atuantes na defesa do Estado Democrático de Direito”, disse a CNBB.

A entidade também lembrou – e exaltou – o trabalho da Comissão da Verdade, que vem abrindo os arquivos da ditadura, encontrando depoimentos e provas da violência que acontecia nos porões do Estado. “Ajuda-nos a pagar essa dívida histórica com as vítimas do regime a Comissão da Verdade, que tem por objetivo trazer à luz, sem revanchismo nem vingança, o que insiste em ficar escondido nos porões da ditadura”.

Veja a cronologia do golpe:




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