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02/04/2014 23:05 - Atualizado em 02/04/2014 23:41

Marido de gestante submetida a cesariana promete entrar na Justiça

Emerson Guimarães disse discordar de decisão judicial que não permitiu o parto natural em Torres

Frustado por ter sido privado de ver o nascimento da filha, Emerson Guimarães, de 41 anos, pretende questionar a decisão da juíza de Torres, Liniane Mog da Silva, que forçou a mulher dele a ser submetida a uma cesariana, em vez do parto natural, como queria a família. “Nós estávamos esperando as contrações aumentarem, o carro e as roupas já estavam preparados, mas a polícia e a Justiça chegaram e ameaçaram me prender se não deixasse minha esposa ir com eles. Tive a orientação do Ministério Público para entrar na Justiça, sei que não poderei voltar no tempo, mas evitarei que situações como essas voltem a ocorrer”, declarou o técnico em manutenção industrial, que não soube especificar se a sugestão para entrar com recurso partiu do MP federal ou do estadual.

Emerson sustenta que, na segunda-feira, a esposa Adelir Carmen Lemos de Goes, de 29 anos, grávida de 42 semanas, recebia os cuidados em casa para esperar o momento ideal para um parto natural. A médica da gestante entendeu, porém, que era arriscado não fazer cesariana e pediu auxílio do Ministério Público e da Justiça, que conduziram a mulher contra a vontade para o hospital. “Tentei segurar a polícia do lado de fora, mas eles já estavam prontos para me algemar. Nesse momento, Adelir ficou nervosa e fui obrigado a ceder, deixando ela ir”, relembrou.

De acordo com o promotor de Justiça Octavio Noronha, o Ministério Público foi procurado pela equipe médica do hospital, que relatou o caso e pediu auxilio. Segundo ele, com a ajuda da Brigada Militar, a jovem foi conduzida ao Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, na madrugada de terça-feira, quando foi submetida à cesariana. “O pedido foi feito para proteger o nascituro. A lei assegura o direito à vida da criança, mesmo antes do nascimento”, explicou o promotor.

Conforme a assessoria de imprensa do MP Estadual, a ideia de questionar a decisão judicial não partiu do órgão. Já a assessoria do Ministério Público Federal não foi encontrada para comentar o assunto.

Saiba mais

A obstetra plantonista examinou a mãe e realizou ecografia. O exame mostrou que, pela posição do feto, em pé, a criança corria risco de morrer asfixiada durante o parto. O diretor técnico do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, Marcelo Fagundes, explica que a posição comprometia a realização do parto normal, como queria Adelir. Além disso, ele fala que o risco era ainda maior, com chance de sangramento e rompimento do útero, pelo fato de ela estar no prazo limite normal para o parto e já ter sido submetida a outras duas cesarianas.

A menina, batizada de Yuja Kali, nasceu saudável, com 3.650 kg e 49 cm. Ela e a mãe devem receber alta nesta quinta-feira.

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Fonte: Rádio Guaíba






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